segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O dia em que tivemos o nosso "primeiro" ensaio... -Capítulo 17

Estava no meu quarto com muita raiva da Tinna. Quando entrei em casa, para ir ao meu quarto, meu pai estava na sala lendo seu habitual jornal. Acho que ele nem me viu entrando, estava tão concentrado na sua leitura, que não presta atenção em  mim. Mas é de se esperar, não sei como ainda fico pensando se é sempre a mesma coisa.
Acho que quando começar os ensaios da banda, vou ficar na casa do R3, pois aguentar meu pai com o lindo e agradável humor dele, nossa estou "frito". Continuando... Estava no meu quarto lendo uns dos meus gibis, mas ficava sempre pensando na Tinna. Por que sou tão bobo, de ficar pensando naquela mentirosa, metida? Ela pode ser bonita, inteligente, mas o que ela fez,  não consigo imaginar que um dia eu possa perdoar. Será que um dia irei perdoá-la? Será que ainda vou poder conversar como bons amigos de novo? Será que eu ainda vou se importar novamente com ela algum dia? Não sei... Só sei que estou muito chateado com ela sobre isso.
Tinna ainda está no hospital ou ela não vai mais ficar aqui em casa. Não sei. Será que ela vai tolerar essa história com o pai ainda? Será que ela não vai voltar pra casa? Será que ela não vai pedir seu perdão? Ela precisa conversar com o pai dela civilizadamente, sem nenhuma briga, ela precisa... E muito!
Três dias depois...
Tinna havia saído do hospital e ainda está na minha casa. Ainda não há perdoei. Ainda estou com aquelas palavras entaladas na minha garganta na qual mal consigo engoli-las. Ela me deixou muito confuso, muito bravo, muito TUDO!!! Só de pensar nisso me dá vontade de socar alguém ou uma parede. Que ódio!!! E por mais que eu tento esquecer as palavras e ela, mas eu lembro. Por que isso teve que acontecer comigo? Por que?


Uma semana depois...
Acordei, me vesti, tomei café, arrumei minha mochila porque hoje eu decidi que vou ficar na casa do R3 e hoje também começa o ensaio da banda, daí vou esfriar um pouco a cabeça com música e tentar esquecer todos esses meus problemas em família e uma garota.
Peguei meu skate e meu pai já tinha ido levar Cynthia pra escola, então eu tinha aproveitado e escrito um bilhete e deixado na escrivaninha do quarto da minha irmã caçula. Dizia assim:
"Irmã, me desculpe por tudo, por eu não ter acreditado em você. Eu não aguento mais o papai, ele me odeia, não me entende, então o melhor que posso fazer é deixar você e ele felizes. Já que ele ama mais você do que a mim. Bom... A Tinna, diz a ela que pode ficar na nossa casa se ela quiser, mesmo eu saindo. Desculpe se estou saindo assim sem te dar um beijo de despedida, mas também não quero te ver chorar. Mas se qualquer dia eu voltar, prometo que vamos passar um dia inteiro só pra nós dois ouviu? Pode me cobrar. Beijos e do fundo do meu coração, te amo muito maninha!"


Depois disso, peguei meu skate, fechei a porta e sai.

Chegando ao colégio... 
Dessa vez não cheguei atrasado. Entrei na sala e sentei bem lá no fundo como de costume. Tinna já estava na sala, ela me viu, deu um sorrisinho mas virei a cara. A aula era de Aritmética. O professor entrou na sala, disse bom dia e começou a passar matéria nova no quadro. Coloquei meu fone de ouvido e baixei a cabeça. Depois eu copio de um colega, não estou afim agora.
Pééééééééé
A primeira aula já foi, graças a Deus! Mas agora é a segunda,  de Português. Ai quero que acabe logo as aulas!!!
A professora de português escreveu no quadro uma atividade para nós fazermos que valia nota e era em dupla. Ela que escolheu as nossas duplas. Infelizmente. Por que adivinha com quem eu fui? Com Tinna. Ai que raiva. Fui até a mesa da professora com o intuito dela poder trocar as duplas mas fui lá pra nada, pois ela disse que sem chances, tinha que ficar com essas e ponto final. Tudo bem né? Fazer o quê. Professor fala, professor manda. Aluno ouve, aluno obedece.
Fui até Tinna para fazer a atividade. Ela disse:
_Oi. Vamos começar?
_Vamos acabar com isso logo?
_Tudo bem.
Então fizemos e entregamos pra professora. Nisso Tinna veio até mim e disse:
_Você vai ficar com essa cara durante quanto tempo?
_Até o fim dos tempos!!
_Charlie, é sério. Eu sei que eu errei, mas até exatamente quanto tempo?
_Não sei Tinna. Não sei. Eu não sou vidente pra saber quando. Agora vê se me esquece falou?
_Ok Charlie, ok.
"Ok Charlie, ok". Ai que saco viu? Faz a burrada depois quer que eu diga quanto tempo quer que perdoe ela. Garotas...
Algumas horas depois...  Péééééééé
Era hora em que todos estavam esperando. Era a hora do intervalo, que maravilha.
Peguei um lanche e fui sentar em uma das mesas com meus camaradas. Fazia tempo que não ficava com eles, pois como ficava só com Tinna, não tinha muito tempo com meus "brothers".
Eles ficavam falando de várias coisas. Mulheres, jogos de vídeo-games, mulheres, jogos no PC, férias, mulheres... Enfim, a maior parte do assunto foi só de mulheres. E eu querendo esquecer um pouco mulher, eles ficam falando. Garotos...
Algum tempo depois... Hora da saída...
Ai, amém!!! Agora vou ligar para o R3 pra confirmar se vou mesmo ficar na casa dele.
Ligação em celular
_E ai R3? Beleza mano?
_Oi Charlie. Beleza. E ai o que manda?
_Ah, eu quero te dizer que rolou umas "paradas" com meu pai e eu queria vê se posso ficar ai na sua casa por uns tempos até essa poeira baixar. Eu posso? Tua mãe deixa?
_Iiiiii vei. A "coroa" tá de "pira" comigo. Pois eu deixo meu quarto super bagunçado e eu já estou de conta com ela até no pescoço, ou seja, tô morto. Desculpa ai cara. "Malz" mesmo.
_Desencana R3. Vou ver se na casa do DR tá "sussa". Senão vou ter que morar debaixo da ponte.
_Charlie, pera aí. Vou ver com minha mãe se ela deixa, mas não garanto muito não. Espera um pouco.
_Ok.
Alguns minutos depois...
_Ei Charlie, a "coroa" deixou. Mas ela falou que precisa tá o quarto arrumadinho senão "tamo" morto.
_Beleza. Disso eu cuido. Meu quarto é até arrumado. Então tô indo beleza?
_Beleza.
Ligação em celular terminada

Então peguei meu skate e fui em direção a casa do R3. Era um pouco longe para ir de skate, mas como ainda não tinha muita grana pra poder gastar com ônibus, vou de skate mesmo. Assim estou ajudando o planeta. Sou ou não sou maneiro?
Meia hora depois... Casa do R3...
Toc toc
_Quem é?-Disse R3
_Sou eu, o Charlie.
_Entra ai, Charlie, seja bem vindo!!!
_Valeu mano. Sabia que podia contar contigo meu camarada.
_Ah que isso, você é meu "brother", meu parceiro! Ok, chega de papo e vamos lá no meu quarto se arrumar para o nosso "primeiro" ensaio. Que da hora!!!
_Muito. Isso é muito massa. Vai ser demais!!

_Meu que massa o seu quarto!! Só um pouco bagunçado, mas como é quarto de homem, é assim mesmo!! U-huu. Demorou. Só que temos que manter o limpo pra sua mãe não brigar, ouviu R3?
_Sim senhor capitão!! -Fez ironia meu parceiro.
_Bom... Eu vou tomar um banho, trocar de roupa pra chegar limpinho no "primeiro" ensaio, beleza mano? -Eu disse
_Com certeza. Depois sou eu, falou?
_Falou.

Enquanto isso na casa dos Hustton... 
Cynthia chegou em casa e foi correndo ao seu quarto. Ela foi trocando de roupa e viu um bilhete em sua escrivaninha. Ela o abriu e leu:

"Irmã, me desculpe por tudo, por eu não ter acreditado em você. Eu não aguento mais o papai, ele me odeia, não me entende, então o melhor que posso fazer é deixar você e ele felizes. Já que ele ama mais você do que a mim. Bom... A Tinna, diz a ela que pode ficar na nossa casa se ela quiser, mesmo eu saindo. Desculpe se estou saindo assim sem te dar um beijo de despedida, mas também não quero te ver chorar. Mas se qualquer dia eu voltar, prometo que vamos passar um dia inteiro só pra nós dois, ouviu? Pode me cobrar. Beijos e do fundo do meu coração, te amo muito maninha!"

Ficou assustada e ao mesmo tempo triste. Ela o amava, e não queria que acontecesse isso e ela sabia que era por sua causa. Sabia que o pai só gostava dela e não dele. Só não sabia da parte da Tinna, mas o resto sim. Ficou se sentindo culpada. Foi até a cozinha fazer um  lanche só que apareceu seu pai. Dizendo:  
_Cynthia cadê seu irmão?

_Ele... Ele... -Não conseguia achar uma resposta pois ainda estava em estado de choque e não queria estragar ainda mais a vida do irmão. Por isso tinha que pensar numa resposta logo. Mas quando ela ia responder...
_Ele está no colégio. -Tinna a interrompeu.
_Porque ele ainda está lá?
_Por que ele está fazendo um trabalho. Está na biblioteca procurando os melhores livros pra fazer uma pesquisa bem interessante.
_E porque você não está lá? Você não é da mesma sala que a dele?
_Sou, mas ele não quis que eu fosse. Ele quer fazer o trabalho sozinho. É um tremendo de um cavalheiro esse seu filho viu?
_Sei, sei. Ok. Pode ir.
_Valeu.
Cynthia deu uma piscadela pra Tinna, tentando dizer: "Obrigada".
Tinna ficou nervosa. Ficou falando na mente dela: "Onde ele se meteu? Pra onde ele foi? Por que estou com ele na cabeça se ele nem quer saber de mim? Por que?"


Voltando na casa do R3, onde está o Charlie...
Tinha acabado de tomar banho, vestido uma roupa e então o R3, entrou no banheiro que agora era a sua vez. Enquanto ele estava no banho, dei uma geral no quarto, pra a mãe dele não brigar mais.
Alguns minutos depois eu terminei de arrumar e o R3 terminou o banho. Quando ele saiu de dentro do banheiro, nem conseguiu piscar os olhos de tão extasiado que estava. Ele disse:
_Meu... Mano... Co-Co-Como você conseguiu isso? Vei, você é meu herói!
_Ah que isso cara. Era o mínimo que tinha que fazer, por você ter deixado eu ficar aqui em sua casa. Valeu mano.
_Tá, beleza. Vamos então? Vou pedir pro meu pai levar a gente e dai tá "sussa" falou?
_Falou.

Então o pai do R3 levou a gente para nós ensaiarmos. Meu... Que sonho!! Voltar a cantar, que demais!!!
Chegando ao estúdio de gravação...
Nos despedimos do pai do R3 e entramos no estúdio. Nossa... Era enorme!!! Não me lembrava do quão enorme era.
A Jenny veio até a gente e disse que os outros já haviam chegado. Entramos na sala de gravação e começamos a cantar/ensaiar. Como não tínhamos música nova, cantamos a que tinha antes. Mas eu ainda não comentei com eles que na verdade tenho uma música guardada no meu caderno. Em alguns minutos não aguentei ficar guardando e contei a eles. Ficaram todos bobos e extasiados com que tinha dito. O P1 então, como é ele que canta, ficou bem animado. Ele viu a letra e pediu pra que mostrasse o ritmo pra ele. Eu mostrei na minha guitarra e como ele pega rápido já começou a cantar comigo. Até eu fiquei impressionado com a letra, a melodia... Nem acreditei no quão lindo era. A música era de fato assim:

Olho pra janela fico pensando 
em tudo que aconteceu
Em minha vida. 
Era tudo um sonho? 


Estava chovendo, chuvas sempre fazem me lembrar
Da primeira pessoa que vi, passamos bons momentos 
E penso como foi ótimo...


Mas não me recordo, não sei o que
Realmente aconteceu por não estarmos 
como antes...


Não recordo, não 
Por que assim? Por que não sai da minha cabeça?
Só fico... Fico a imaginar! 


Todo mundo da banda gostou, fiquei tipo emocionado por terem gostado. Foi ótimo!

domingo, 18 de setembro de 2011

O dia em que fiquei muito, mais muito bravo com Tinna... -Capítulo 16

 No dia seguinte... 
Acordei, vesti uma roupa, tomei café, escovei os dentes, chamei Tinna para ir comigo, sem skate (meu fiel e companheiro escudeiro de longas datas), o abandonei hoje para ir andando com Tinna.
Chegando ao colégio...
Péééééééééé
Sinal tocou e entramos na sala imediatamente. A aula era de História. O professor tinha corrigido os testes e nos entregou. Quando ele me deu o teste nem acreditei no que vi. Tirei A-, ou seja um 9. Nem acredito que tirei um 9, nossa... Fiquei de cara comigo mesmo. Fui até Tinna dizer da minha nota mas ela não estava com uma cara agradável. Ela me mostrou a prova dela e a nota era 6 ou seja C+. Tirei mas que ela, agora que não estou acreditando mesmo. Mas ela ficou com uma cara bem tristonha, fiquei com pena dela. Que disse:
_Não fica assim. É só um 6, o que tem? Você sempre tira 10 ou 9, um 6 de vez em quando não mata ninguém.
_Você não entende mesmo né? Pra você pode ser um 6 e tanto faz. Mas pra mim é um fracasso. Eu nunca tirei uma nota baixa. Sempre tomei cuidado para que não acontecesse isso e olha no que deu? Sempre estudei muito pra tirar uma boa nota e agora eu tirei um 6. 6, sabe o que é isso? Um horror, nunca vou me perdoar por tirar essa nota horrenda. Nunca! -Sai chorando indo em direção ao banheiro.
Nossa... Nunca vi Tinna assim, chorando. Não sabia que ela ficava triste por receber uma nota baixa. Meu pai ia ficar até orgulhoso por apenas uma nota baixa. Pois por tanto esforço e vê uma notinha ruim ele ia ficar feliz. Mas se eu mostrar esse 9 a ele, ele vai dizer: "Não fez mais que sua obrigação". É ruim que ele ia ficar feliz com alguma coisa que eu faço. Ele só vê algo de ruim em mim que até já desisti de alegrá-lo. Eu até estou pensando em fugir de casa que ele não vai dar a mínima. Só não fujo pra não deixar Tinna sozinha com meu velho. Ai ela que ia assumir o posto de garota rebelde. Nãããão... Nunca, com garotas ele mima, agora se fosse algum outro garoto ia fazer a mesma coisa como faz comigo.
Péééééééééé
Acabou a primeira aula e agora era a segunda, de Biologia. Tinna ainda estava no banheiro. Estou ficando preocupado. Será que ela se afogou de tanto chorar? Ou será que aconteceu algo muito pior?
Virei pra trás e falei com uma menina para falar com a professora se pode ir no banheiro pra poder falar com a Tinna se está tudo bem. A menina fez isso e quando voltou do banheiro trouxe Tinna com ela e ainda estava com o rosto inchado de tanto chorar. Nisso percebi que ela tinha cortado o pulso, mas não tanto só estava um risco e sangrando. E num instante ela desmaiou. Fiquei mega preocupado, que toda sala ficou assustada. Ninguém sabia ao certo o que tinha acontecido pra ela ter feito isso, só eu sabia. A professora ficou espantada. Eu a peguei e coloquei em meus braços. Chamei uma ambulância, já que meu pai não ia sair do trabalho pra fazer uma coisa para o filho. Nunca. A ambulância chegou e colocou ela na maca, fui junto.
A colocaram no soro e taparam os pontos do pulso. Eles me deixaram ficar no quarto onde ela estava de tanto pedir. Ela não havia acordado, ainda estava inconsciente. Meu... Que doida. Por causa de uma nota ela fez uma besteira dessas. Tinna, Tinna... Pra que fazer isso? Quase perde a vida por uma besteira de nota. Por causa de um 6!!! Uma garota tão bonita mas problemática com nota.
Em alguns instantes ela acordou. Fiquei extasiado por vê-la acordar. Mas quando me viu ali parece que não gostou muito não.
_O que você está fazendo aqui? Vai embora, não quero que me veja assim. Vai!
_Tinna... Não estou te reconhecendo. Como pode ficar assim? E não, não vou embora. Cheguei até aqui e não vou morrer na praia.
_Enfermeira, enfermeira!! Quero ficar sozinha, tira ele daqui!
_Tudo bem minha jovem! Venha rapaz.
_Não, eu não vou. Quero ficar aqui com ela.
_Não contrarie a jovem, deixe-a descansar por favor. Depois você vai ter todo o tempo do mundo pra conversar com ela, ok? Agora vai.
_Tudo bem. Vou ficar naquela sala e depois quando ela ficar melhor eu venho, ok?
_Ok.
Fiquei de queixo caído quando ouvi ela dizendo que queria eu fora dali. Nossa...
No quarto da Tinna só que agora ela narrando... 
Eu sei que fui um pouco grossa com Charlie. Mas não queria que ele me visse chorando de novo e naquele estado. Eu sei que foi exagero eu ter cortado o pulso, mas não aguentei ver aquela nota. Não aguentei. Agora eu estou me lembrando porque sai de casa. Porque meu pai viu uma nota vermelha minha e eu fiquei brava pois não queria que ele visse que sua filha fracassou, sua filhinha. Nunca tinha alterado o tom de voz com ele, mas me descontrolei. Sei que fui uma idiota por isso, sei que ele não merecia isso, mas toda vez que acontece algo que não consigo superar, fico mal. E agora o Charlie passou por esse meu humor, não queria que ele conhecesse esse meu outro lado, pois eu o amo e não quero que ele fique bravo comigo, não quero. Só de pensar nisso me dá um ruim que só vendo. Charlie... Espero que um dia você possa me perdoar por isso. Não fiz por mal, não queria te magoar. Eu te amo!
Voltando para o Charlie...
Ah não, não aguento ficar aqui nessa sala sem fazer nada. Eu preciso ir no quarto da Tinna pra vê se ela está bem. Para protegê-la. Nunca imaginei que pudesse está apaixonado por Tinna. Mas pelo que vi hoje, ela deve querer me comer vivo. Mas eu quero muito poder conversar com ela, quero que ela me esclarece isso, mas se ela não quiser pelo menos quero fazer algum carinho para dizer que me importo pelo que ela está passando. Bom... Vou falar com uma das enfermeiras e vê se posso ficar no quarto dela de novo.
_De novo? Você não viu que ela está de mau humor? Você quer enfrentar a fera? Tem certeza? Se eu fosse você ia pra casa e amanhã você viria, que então ela estaria mais calma. Não quer fazer isso?
_Não. Eu quero ficar com ela, quero falar com ela... Deixa eu entrar por favor...
_Tudo bem, mas depois não diz que não avisei ok?
_Ok.
Então ela me deixou entrar. Vi que Tinna estava ainda brava, estava me fuzilando com os olhos. Fiquei com medo mas fiquei ali. Não queria sair dali por nada.
Ela disse entre dentes:
_O que ainda faz aqui? Não falei pra você ir embora?
_Falou. Mas quero ficar aqui com você. Te trouxe até aqui e não vou pra casa de mãos abanando. Você pode ficar brava comigo por toda a vida, mas eu vou ficar aqui, ouviu?
_Porque está fazendo isso? -Abaixou o tom de voz
_Porque eu sei o que você está passando. Eu sei essa dor que você está sentindo. Sei que o seu é por uma nota, mas o meu foi muito mais doído.
_O que houve com você? O que foi mais doído que isso?
_Eu já perdi minha mãe quando era pequeno. Já perdi minha melhor amiga quando fui em um sítio. Não faço nada certo pra alegrar meu pai pelo menos uma vez na vida... E quando eu vi você chorando por uma nota, eu fiquei muito mal, pois achava que você era diferente e não uma metida que fica preocupada com uma nota e que depois consegue recuperar de boa. Eu sempre tiro nota baixa, sempre fui o ovelha negra da casa, meu pai me odeia, e você cortou o pulso por causa de nota. Eu nem sei por que você saiu de casa, mas espero que tenha sido válida essa saída, porque se for algo fútil meu Deus, não sei o que vou pensar de você Tinna. Porque dessa vez você ficou igualzinha as garotas metidas que conheço. Me desculpa por está falando assim com você, sei que nem te conheço direito, mas só espero que eu esteja errado.
_Meu Deus, nossa... Me desculpa eu não sabia que tinha acontecido isso com você. Me perdoa por eu ser uma pessoa metida, por está brava com você e você ainda me trouxe aqui no hospital. Ninguém nunca disse isso pra mim, nunca foi tão carinhoso, cuidadoso comigo. Muito obrigada Charlie e me desculpa por tudo isso que te fiz. Ah e não foi válida essa saída -chorando- foi fútil, foi ridícula. Meu pai só estava tentando me ajudar e eu fui muito grossa com ele. Foi por causa de nota também. Ele viu uma nota vermelha no meu quarto e fiquei muito brava por ele ter visto sua filha fracassar. Aumentei o tom de voz com ele e nem deixei ele falar, peguei minhas coisas e no dia seguinte falei com você se podia ficar na sua casa por uns tempos. Me desculpe Charlie por eu ter te colocado nessa história. Eu fui uma idiota, briguei com meu pai a toa, briguei com você a toa, não mereço a amizade de ninguém! Eu sei que vai ser difícil de você me perdoar, mas espero que um dia você me perdoe pelo que eu fiz e possamos ser amigos de novo.
_Eu não acredito nisso Tinna. Não acredito que você fez isso. Achei que você fosse diferente das demais, mas você é igualzinha a elas. Como pôde fazer uma coisa dessas com seu pai? Como pôde ter deixado ele mal? Ele se preocupou com você, tentou ser legal e você foi estúpida com ele por causa de nota?
Quando te conheci tentei ser legal com você, mas você foi grossa comigo. E agora é grossa também e por causa de que? De nota. Achei que nós tínhamos o mesmo problema. Que o pai não apoia a gente. Mas não. Você nem deixou seu pai falar, ele queria com certeza te apoiar e você foi estúpida com ele. É... Nós não temos o mesmo problema. Você não tem um pai que te odeia, que não fica feliz com nada que você faça, que só pensa nele, no trabalho e na Cynthia. Pra ele, eu não existo, sou um ninguém. E você, ah você! Você saiu de casa por infantilidade, por uma coisa banal.
Como você disse Tinna, vai ser difícil mesmo processar tudo isso de você e poder perdoar. Vai ser muito difícil. Eu vou pra casa e se você ainda quiser tolerar isso, pode ficar na minha casa. Mas não fala comigo por enquanto. Deixo tentar processar tudo isso, tentar engolir pra depois pensar em falar com você. Na verdade só fala o básico pra o meu pai não ficar falando mais na minha cabeça. Tchau Tinna.

Nossa... Subiu uma ira na minha cabeça que nem acredito. Por que ela fez isso comigo? Por que?
Sai do hospital chutando tudo. Latas, pedras... Tinna, o que você fez? O que você fez?

Enquanto isso no quarto de hospital da Tinna...
Por que fiz isso? Por que? Perdi um amigo, e por que? Por besteira, por infantilidade. Meu Deus, só espero que ele possa me perdoar. Mas acho que se fosse comigo, eu também iria demorar pra perdoar. Ai como sou idiota!!!!


A verdade... -Capítulo 15

Já nem sei em quem confiar. Será que Cynthia fez aquilo? Não contou ao meu pai que eu ia ficar mais tarde no colégio? Por que ela faria isso? Eu confiei nela, eu acreditei no lance dela poder mudar e se ela fez isso mesmo como ela quer que eu confie nela? Como?
Mas será que Tinna tem alguma coisa sobre isso? Será que ela contou mesmo pra Cynthia? Ou será que ela mentiu pra poder ficar na detenção comigo? Não sei se perdoaria ela por isso, não sei... Ah como eu queria poder acreditar. Isso é muito confuso...
Toc Toc
_Quem é?-Eu disse sem nenhum pouco de felicidade.
_Seu pai. Abre essa porta tem alguém querendo falar com você no telefone.
_Não quero atender ninguém. Mas fala quem é para eu poder saber para depois quando tiver vontade ligar para a pessoa.
_É uma tal de Jenny. Ela falou que é algo muito importante que tem que falar agora.
_Jenny? Jenny? Passa logo o telefone aqui já!! -Abri a porta e peguei o telefone depressa.
Falando no telefone
_Oi Jenny, tudo bom?
_Tudo. E então Charlie, o que me diz? Vão voltar a ter a banda?
_Hm... Não sei... Ainda não disse para meu pai e nem para os pais do P1, o vocalista da banda. Mas os outros dois toparam.
_Então fala logo com seu pai e com os pais do P1. Eu preciso dessa resposta hoje, ouviu? Senão cancelo tudo e contrato outra banda.
_Nãooooooo!!! Tudo bem eu falo. Te ligo depois ok? Me dá 15 minutinhos pra falar com o velho e com os pais do P1? Por favor, eu quero muito voltar a cantar, a tocar...
_Tudo bem. 15 minutos, ok? Nada mais.
_Ok.
Então desci as escadas e fui até meu velho tentar convencê-lo para eu poder voltar a tocar na banda. Não sei se vai dar muito certo, porque meu pai é "osso duro de roer".
_Pai? Posso falar com o senhor alguns minutinhos?
_Por que? Vai querer me interromper no meu momento de leitura?
_Desculpa, é só alguns minutinhos. Não quero acabar com seu momento. Só me dá uns instantes. Com a Cynthia não tem esse negócio, mas comigo o senhor é duro, não sei por que, mas é.
_Não começa, senão não dou nem um minuto. Vai logo, já perdeu muitos minutinhos.
_Tudo bem. -Odeio a maneira como ele me trata, mas vamos lá. -Ei pai, a moça do telefone, a Jenny, ela quer uma resposta, apenas de mim, se pode voltar com a banda. Eu quero muito e estou aqui te pedindo se posso. Já que sou de menor ainda e não posso tomar as decisões sozinho, o senhor me dá sua permissão para eu poder voltar a banda? Eu posso?
 _Se você quer se quebrar de novo, tudo bem, mas eu não vou pagar hospital nenhum, ok? Ah e se quer saber, cantar não dá muito futuro não hein?
_Meu... Seu otimismo é uma loucura... Nossa... E ainda por cima é meu pai, não acredito. Parece que nem sou seu filho.
_Sai. Da. Sala. A-G-O-R-A!!!
_Ok. Mas fique sabendo que quando ficar famoso não vem querer autógrafo ou meu dinheiro falou?
_SAI!!!!
E é por isso que amo meu pai. Risos. Agora vocês entendem o que eu passo com o meu velho? Ele me ama tanto que até fico sufocado. Nossa... Que amor!
Peguei o telefone e liguei para falar com os pais do P1.
No telefone...
_Oi é o Charlie.
_Oi Charlie. O que foi?
_Eu queria dizer se o P1 pode voltar para a banda, pois a nossa gravadora ligou e quer que nós voltemos a cantar. E queria sua permissão pois só falta a senhora para deixar. Por favor, deixa o P1 voltar!!
_Não Charlie! Eu não quero que o meu Patrick se machuque de novo. Fique muito preocupada quando vocês se machucaram. Não quero correr esse risco mais uma vez. Sinto muito.
_Ah senhora, eu quero tanto voltar a ter a banda e sei que os outros e o P1 também quer. Por favor deixa, isso acontece. As vezes isso precisa acontecer pra nós aprendermos que na vida a gente cai, se diverte... Por favor, prometo que vamos nos comportar, que vamos nos cuidar...
_Charlie... Ai que aperto no coração... Não quero me arrepender de ter deixado Patrick voltar a cantar. Mas esse é o sonho dele desde criança. E ele já está grandinho. Tudo bem Charlie, eu deixo. Mas juízo hein?
_Tudo bem senhora. Você não vai se arrepender. Beijos e tchau.
_Tchau Charlie!

Fiquei muito contente dela ter deixado, achei que ela não ia deixar mas ainda bem que ela deixou. Liguei para a Jenny e falei que podemos ter a banda. Ela falou "Que ótimo, e disse que o ensaio começa na semana que vem." Eu disse"Que maravilha" e desliguei.
Meu que felicidade, voltar a banda, poder cantar, sentir as vibrações dos fãs de novo... Que demais!!!
Alguns minutos depois... 
Toc toc
_Quem é?
_Cynthia. Quero falar com você.
_O que foi? -Abrindo a porta
_Quero dizer que a Tinna não veio falar comigo aquele dia. Eu nem sabia que você estava de detenção e quem acabou me levando pra casa foi o Michael, um amigo meu. Eu fiquei bem preocupada mas se você não acredita em mim, fala com o Michael que não apareceu ninguém pra falar comigo. Se ela tivesse falado eu contaria para o pai pois você confiou em mim e não quero estragar essa confiança. Por favor, acredita em mim, Charlie.
_Você tem o telefone desse Michael?
_Tenho, está aqui.
No telefone...
_Oi Michael.
_Oi Charlie.
_Eu quero dizer... É verdade que quando você levou minha irmã pra casa, não veio ninguém pra falar com ela?
_Não que me lembre.
_Tem certeza? Posso confiar em você? Ela te pagou pra dizer isso?
_Ahn... Tenho. E pode confiar, eu gosto muito da sua irmã e sei que ela não faria uma coisa dessas.
_Tudo bem Michael, desculpa atrapalhar ai.
_Que nada.
_Tchau.
_Tchau. -Desliguei o telefone.

_Bom... pelo o que ele me disse, você estava falando a verdade. Mas não sei se posso confiar, pois qualquer um pode dizer aquilo. Vou falar com Tinna, sei que não vai adiantar muito mas não custa nada tentar.
_Ok Charlie.

Fui até o quarto de hóspedes onde fica a Tinna e...
Toc Toc
_Quem é?
_Charlie.
_O que foi? -Abrindo a porta
_Quero falar uma coisa com você.
_Fale.
_Minha irmã foi lá no meu quarto e disse que você não foi falar com ela. Isso é verdade? Não minta pra mim, por favor. eu já estou muito confuso com essa história toda e ainda o meu pai não tem nenhuma consideração comigo, ele me odeia.
_Não fala assim Charlie.
_É verdade. Mas agora me responda: É verdade?
_Ok, eu conto. -chorando- Eu queria muito ficar com você, queria muito ficar na detenção contigo pois não aguentava te ver desse jeito. Não contei pra sua irmã porque ela já tinha ido embora e meu celular tinha acabado a bateria. Me desculpa por te colocar em mais uma encrenca com seu pai. Não era essa minha intenção.
_Tinna... Não fique assim... - Abraçando.
_Charlie... Devia ter dito antes isso. Não queria te deixar confuso. Me desculpe mais uma vez.
_Tudo bem Tinna. Te desculpo, agora vamos esquecer essa história, não vai adiantar ficar assim. O meu pai não vai ser melhor se escutar isso. Ele me odeia e vai ser sempre assim. Ele nunca vai ficar orgulhoso de mim, nunca vai ficar feliz comigo.
_Charlie...
_Tinna... -Nos entreolhamos, ficamos corados... -Eu... Tenho que te contar uma coisa.
_O quê?
_Vou cantar de novo.
_Você vai ter a banda de novo?
_Sim. E eu sei que você não gosta da banda, mas eu queria te contar isso.
_Charlie... Eu...
_O quê?
_Nada não. Que bom que você voltou com a banda. Acho que você está super animado com isso né?
_Muito.
_Mas você vai continuar estudando não é?
_Sim, com certeza.
_Ah, que bom.
_Por quê?
_Por... Por... Por nada. Só pra saber. Pura curiosidade.
_Hm... Tudo bem.

Fui para o meu quarto e tudo ficou resolvido. Não estou mais confuso. Cynthia não mentiu pra mim, e isso é bom. Mas uma coisa é certa: Tinna estava bastante corada. Ela não ficou brava por eu ter falado da banda, já que no começo quando nos conhecemos ela odiava. Não estou entendendo.

No dia seguinte...