terça-feira, 18 de outubro de 2011

Capítulo 21- Garotas...

No dia seguinte...
Despertador toca. Levantei, troquei de roupa, tomei café, escovei os dentes e quando ia pegar meu skate para ir ao colégio, meu pai diz que ia me levar, pois não queria que me machucasse de novo. É... Ele está mudando mesmo. Que mudança... 
Chegando ao colégio...
Me despedi do meu pai e entrei. Fui até meu armário, dei umas olhadas nele, pois tinha um poema que fiz a muito tempo quando era criança para a Anma, mas fechei rapidamente, pois ela chegou em seguida. 
_Oi Charlie! Bem?-Disse com os olhos piscando. 
_Oi. Tudo sim, e você?
_Bem também. O convite da festa ainda está de pé? 
_Sim, claro.
_Ai que ótimo!!! Hoje vou arrasar, vou está bem linda!! 
Glup. Suava frio. Ela vai acabar me enlouquecendo, tenho certeza. 
_Ahn, claro, perfeitamente, não duvido. Tenho certeza que você ficará linda. Quer dizer, todas as garotas ficam lindas em festas. 
_SIM! Mas eu vou ficar belíssima!! 
Mil vezes glup. Ela vai me enlouquecer, vai mesmo. 
Bate o sinal e entramos na sala. O professor não havia chegado e Tinna veio em minha direção. Disse:
_Eu soube que vai ter uma festa. Eu quero ir, e quero saber se você quer ir comigo. Não quero ir sozinha. Você quer ser meu parceiro? 
Ai caramba. Suando frio, de novo. Elas vão me enlouquecer, tenho certeza, definitivamente. 
E agora o que eu vou dizer? Não posso magoá-la, não posso dizer que já tenho uma parceira. Embora seja verdade. Ou eu serei sincero e posso deixá-la triste, ou posso mentir e daí posso deixá-la feliz. 
_Claro. Eu serei seu parceiro. -O que eu estou dizendo? Porque disse isso? Eu já tenho uma parceira. E agora como eu vou sair dessa enrascada? Como? -Na verdade... Eu não posso ser seu parceiro. -Que não me bata, que não se irrita, que não corte os pulsos... 
_Tudo bem. Eu já desconfiava. Você ficou com uma cara que já tinha uma parceira. 
_Tinha? 
_Sim. Mas deixa. Beleza, eu entendo. Você é bonito e sei que todas as meninas querem ser sua parceira. -Ela me olhou com uma cara que me deixou com pena. 
_Ei, eu sinto muito. Sério. Mas é que a garota que é minha parceira já tinha pedido antes. Desculpa.
_Ok. Eu não ligo, por mim tudo bem. Espero que você se divirta. 
_Mas você não vai? 
_Como? Sem parceiro eu não quero ir. Sozinha jamais! Não quero mais ser deslocada, sem ninguém. Pra que vou passar vergonha?
_Tinna... Eu... Não queria ter dito isso. Não queria te deixar assim triste... Eu...
O professor entra na sala e manda todos sentarem. Droga! Logo agora que estava falando algo importante com Tinna, chega o professor. 
Fico olhando pra Tinna,  mas ela estava prestando atenção no professor. Como sempre. Ela é linda. Eu não queria magoá-la, longe disso, eu quero sempre o melhor pras pessoas, sempre. 

Acabaram as primeiras aulas, e agora era o intervalo. 
Fui até Tinna e disse: 
_Eu... Sinto muito. Se você quiser eu peço para um dos meus amigos ser seu parceiro. Você quer? 
_Hum... Têm que ser bonitos. Se forem, eu quero. -Sendo irônica.
_Tudo bem. Têm uns que são lindos. -Entrei na brincadeira.
_Ok então. Me liga pra dizer quem vai ser meu parceiro. E tem que me pegar antes do horário, pois eu demoro pra me arrumar.
_Beleza.
Nisso ela saiu de perto de mim e foi falar com uns de seus amigos.
Eu gosto dela, gosto de ficar perto, de sentir seu cheiro... Mas não sei se vale a pena ficar com ela, se vale a pena namorá-la. E também gosto da Anma.

Cheguei em casa e fui logo para o computador pra saber se um dos meus amigos querem ter a companhia da Tinna na festa.
Quem aceitou ir à festa com Tinna foi o DR.

Me arrumei para festa e fui à casa da Anma para irmos. Chegando lá...
Toc toc
_Quem é?
_Charlie.
_(abrindo a porta) Oi, entra. Senta ai no sofá que eu estou quase terminando de me arrumar.
_Ok. -Esperei, esperei e esperei. Garotas demoram tanto pra se arrumar...
Alguns minutos depois...
_Pronto. Podemos ir.
_Até que enfim. Aleluia!!
_Ai que exagero. Bobo.
Então como tinha pedido o carro emprestado para o meu pai, fui um grande cavalheiro e abri a porta pra ela.

A festa estava muito maneira. Tendo luzes piscando bem bacanas, bebidas (alcoólicas ou não), entre outros.
Depois pedi pra Anma se ela queria dançar. Ela aceitou. Foi bem divertido. Algum tempo depois eu vi o que queria vê mas também não queria. Confuso não?  Mas é que vi a Tinna chegando, e ela estava surpreendente linda, muito linda! E o DR estava ao lado dela. Confesso que fiquei um pouco mordido com isso, mas já tinha uma parceira, não é?    
Enquanto estava em transe olhando pra Tinna, veio um cara me convidando pra subir no palco pra cantar uma das músicas da banda. Bom... Eu fui, não podia deixar na mão um camarada. Cantei "Because You're Beautiful". E quando cantei estava olhando pra Anma, e depois pra Tinna, mas ela não estava me olhando. Estava muito ocupada conversando com o DR.
Tinha terminado a canção, e coloquei as mãos nos bolsos e percebi que tinha uma canção lá. Uma canção que ninguém conhecia, nem a própria banda. Apenas eu. Eu criei essa canção. E eu fiz especialmente pensando na Tinna. Eu sei que parece meio idiota, pois como disse que amo a Anma e não queria mais saber da Tinna e agora estou apaixonado por ela de novo.
Anma estava no banheiro. Acho que ela estava se maquiando ou outra coisa. Por um tempo eu vi Tinna sozinha, acho que o DR estava no banheiro ou buscando um suco pra ela. Enquanto ele estava demorando, cheguei até ela e disse:
_OI, ESTÁ SE DIVERTINDO?-Falando alto pois tinha bastante gente conversando, dançando, cantando...
_SIM!!!! OBRIGADA POR CHAMAR O DR PRA SER MINHA COMPANHIA!
_DE NADA. EU TIVE QUE FAZER ISSO, NÃO DEIXARIA VOCÊ FALTAR NUMA FESTA DIVERTIDA COMO ESSA. VOCÊ MERECE!
_OBRIGADA. -Disse envergonhada
_MAS VOCÊ GOSTOU DA COMPANHIA? NÃO ACHOU ELE MUITO CHATO NÃO?
_NÃO, ELE É DEMAIS! EU GOSTEI MUITO DELE.
_HM... QUE BOM. GOSTEI MUITO POR VOCÊ ESTÁ SE DIVERTINDO.
_E VOCÊ ESTÁ SE DIVERTINDO COM A SUA PARCEIRA? AINDA NÃO SEI QUEM É.
_ESTOU. E A MINHA PARCEIRA É A ANMA.
_AH... LEGAL...
Acho que nós dois estamos com ciúmes, digamos assim. Pois quando ela disse que gostou de ficar com o DR, eu fiquei um pouco mordido. E quando eu falei da Anma, ela fez uma cara de chateada, ou seja, com ciúmes.
_EU VOU LÁ FICAR COM A ANMA, ELA JÁ SAIU DO BANHEIRO. TCHAU, DEPOIS NOS FALAMOS.
_OK!
Fiquei ao lado da Anma a noite toda como tinha combinado. Nós dançamos, mas não rolou nada entre a gente. Uma pena, pois eu olhei pra Tinna e o DR deu um beijo nela.
DR... Tinna...

Levei Anma pra casa dela, e não rolou nada entre a gente. Eu cheguei em casa, fui no meu quarto e deitei na cama. Estava exausto. Ainda bem que era fim de semana.

Enquanto isso... Tinna narrando... 
Não sei como aguentei olhar para o Charlie sem vomitar, pois não acredito que o vi com "aquelazinha" na festa, ui. Fiquei com tanto ódio que não consegui tirar os olhos deles. Por que ele fez isso comigo? Por quê? Eu sei que fiz tudo errado antes, mas ele viu que eu mudei. Mudei...
Mas depois não entendi o por quê do DR me beijar, mas eu gostei. Embora eu ainda goste do Charlie, o DR é bem fofo, legal...
_Filha, vem aqui embaixo! Quero te falar uma coisa importante. Você vai gostar.
_Já vou. -Desci as escadas e fui em direção ao meu pai. - O que é?
_Eu consegui com que você fosse naquela convenção de garotas que você tanto queria.
_Sério? -É demais. Eu sonhava com isso toda noite, e agora meu sonho se realizou...
_Sim filhota! -Ele me pegou no colo, me dando um abraço bem forte e um beijo.

Essa semana foi bastante corrida. As aulas passaram voando. Descobri que Tinna tinha ido numa convenção de garotas e que faltou essa semana de aula por causa disso. Depois da festa, não vi a Tinna. Senti falta dela essa semana. Não sei porque, mas descobri que cada vez estou ficando mais apaixonado por ela. Não entendo, ela fez coisa errada, magoou o pai, me magoou e mesmo assim a amo. Ô coração, por que isso? Decida. Eu gosto da Anma e você está doidinho pela Tinna.

A aula de natação foi puxada hoje. Até pareceu mais empolgante, mas na verdade foi mais um cansaço. Quero chegar em casa, tirar essa roupa molhada, tomar um banho e comer alguma coisa.
Depois que cheguei em casa naquele dia da festa, quando Charlie me levou pra casa, fiquei ainda mais apaixonada por ele. Mas sei lá, parece que não o aproveitei muito, fiquei mais naquele banheiro por causa da maldita cólica. Por que surgiu justo no dia mais legal da minha vida? Ai que saco. Daí percebi depois que Charlie só ficava olhando pra aquela Tinna. Cantou a música olhando pra ela. Mas uma coisa eu gostei... O parceiro dela, a beijou. Com certeza os dois ficarão juntos e eu ficarei com meu amado Charlie. Mas se eles não ficarem, eu dou um jeito pra que dê certo, pra que fiquem juntos. Para que o Charlie seja só meu. Eu amo o Charlie, sempre amei, e não vai ser uma garota de quinta que vai estragar isso.

Estava tão feliz e nada ia estragar isso. Cheguei em casa cansada, óbvio. Mas foi tão legal, tão prazeroso. Queria ter ficado mais tempo, embora tenha ficado uma semana. Ai, meu pai é demais mesmo. Ele conseguiu fazer com que fosse nessa convenção. Eu agradeço muito por ele ter conseguido essa oportunidade maravilhosa.
Essa convenção me fez ver o quanto eu estava errada de achar que todos os homens são iguais. Mas na verdade nem todos são. Não o Charlie. O Charlie é o tipo de homem que toda garota no mundo queria ter. E eu sou uma delas. Ai como eu amo o Charlie. Mas aquela Anma está no meu caminho. O Charlie olha pra ela de um jeito... Eu acho que ele gosta dela. Se eu não fazer alguma coisa, eu perderei o Charlie pra sempre.


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Capítulo 20- O dia em que fui parar no hospital... De novo!

Não sei como aguentei olhar para o Charlie sem vomitar, pois não acredito que o vi com "aquelazinha" na festa, ui. Fiquei com tanto ódio que não consegui tirar os olhos deles. Porque ele fez isso comigo? Por quê? Eu sei que fiz tudo errado antes, mas ele viu que eu mudei. Mudei...

Semanas antes...
Estava na cama quando olhei no relógio e percebi que estava atrasado. Como sempre.
Levantei, me arrumei, peguei meu skate e sai a disparada. Não estava prestando atenção em nada quando tropeço em algo. Numa pedra. Me ralei todo, mas pensa que parei? Continuei andando.

Chegando ao colégio...
Entrei no colégio, fui até meu armário pegar meus cadernos e entrei na sala. Quando entrei vi a cara de espanto dos meus colegas. Não sei porque pois eles sabem que chego atrasado. Mas o que eles estavam assustado foi que meu corpo estava completo de sangue, que eu não tinha percebido. Depois que olhei fiquei muito assustado, pois pra mim só tinha sido uma quedinha de skate que as vezes acontece. Mas ali não, ali eu vi aquela quantidade de sangue que estava na minha camiseta e na calça. E depois disso apago.

Senti um ar gelado penetrando em meu corpo. Abri os olhos bem devagar e vi que estava em um hospital. Como fazia tempo que não ia no hospital como paciente, pois a última vez que vim como paciente foi quando tive o acidente no palco. E depois só vim como visita. Só sei que não me lembro como vim parar aqui. Não mesmo.
Olhei o quarto e percebi que não estava sozinho. Meu pai estava lá. Meu pai! O homem que nunca presta atenção no filho, agora estava lá, sentado, me olhando fixamente. Quem foi que chamou ele ali? Quem?
Acho que já sei, deve ter sido o colégio, eles tem os números dos alunos caso aja alguma emergência.
Ele veio mais perto de mim e disse:
_O que você fez Charlie? -Com aquele olhar de desapontado.
_Nada, oras.
_Como nada? O que aconteceu? Quando vi sua camisa cheia de sangue achei que tinha acontecido algo grave.
_Não é nada que você possa se preocupar. Já estou legal, pode ir embora.
_Charlie, Charlie Charlie. Sempre querendo se cuidar sozinho. Sempre. Eu estou aqui, pode contar comigo. Sei que não fui o melhor pai até agora pra você, mas quero mudar, quero muito.
_O que houve? Está tirando uma com a minha cara? É isso? Você mudar? Desde quando?
_Ué, uma pessoa não pode querer ter vontade de mudar?
_Ahm... Quem sabe? Desde que mude de verdade, que não seja nenhuma farsa. Por mim pode.
_Obrigado filho. Não vai se decepcionar.
_Eu já conheço essa frase. -Risos- Ok, espero mesmo.
Ele chegou mais perto e me abraçou. Isso foi até legal. Nunca pensei que meu velho pudesse querer mudar. Mas será mesmo?
_Então... Depois disso, vai querer voltar pra casa?
_Não sei... Está tão bom onde estou morando... Tão legal!
_Ah Charlie, por favor, a Cynthia sente muita falta de você. Volta.
_Só a Cynthia? -Fazendo jogo duro.
_Ah moleque para de graça, é sério, por favor volta!
_Só se você falar que sentiu muita falta de mim, que me ama muito e que chorou.
_Você quer que eu fale isso tudo? Está ficando muito convencido hein? Com quem você está andando?
_Não mude o assunto. Fala.
_Tá bom. Eu senti muito sua falta, chorei e te amo muito. Satisfeito?
_Muito. -Hahaha. Ri muito agora.
_Ei Charlie, agora que você está melhor, tem alguém que quer falar com você. Ou duas querem.
_Quem são?
_Tinna e Annie Marie.
_Ai diz que não estou.
_Charlie... Fala com as duas. Quer dizer, escolhe uma pra falar, pois só pode uma agora. Depois só mais tarde.
_Ok. Chama qualquer uma aí.
_Vou chamar a Tinna então.
_O quê? Por quê?
_Ué, não é pra chamar qualquer uma. Então, vou chamar a Tinna.
_Ok. Chama ela lá, e diga a ela pra ser rápido, que eu quero dormir.
_Tudo bem dorminhoco.
Então ele chamou a Tinna. Ela entrou no quarto com o rosto meio que envergonhada. Meu pai saiu do quarto e então ela disse:
_Oi, está melhor?
_Só um pouco com dor de cabeça. -Vou ser um pouco grosso com ela, já que ela foi comigo aquela vez. -E o que faz aqui? Quero ficar sozinho.
_Ah é que... Que... Eu sinto muito. -Estava indo para a porta quando...
_Espera... Foi mal. Pode ficar. Só fiz isso mesmo porque você fez isso comigo. Só queria te mostrar pra vê como é ruim quando a gente se preocupa com a pessoa e ela ser grossa.
_Me desculpa... Mesmo... Eu sinto muito, por tudo! -Colocou as mão nos olhos e se pôs a chorar.
Garotas são tão sensíveis... Vou tentar consertar isso. Peguei a mão dela e a abracei. Ela colocou um longo sorriso no rosto. Foi lindo vê-la sorrir.
_Obrigada Charlie por isso. Mas eu vim aqui pra saber se você pode me perdoar. Por favor, eu não aguento ficar sem falar com você. Eu mudei por você, falando sério. Eu sai da sua casa, pedir desculpas para o meu pai, e agora eu estou conversando com bastante gente. Me perdoa? Eu prometo que nunca vou mentir pra você, prometo ser mais sincera da próxima vez. Mas isso é a única coisa que te peço, a única e nada mais.
_Hum... Tudo bem. Se você pediu desculpas para seu pai e conseguiu mudar e ainda por cima fez isso por mim. Ninguém nunca fez nada por mim, nada mesmo.
_Ai valeu, valeu mesmo. -Me abraçando.
E abracei-a também.
_Você... Eu... Isso que está rolando... É pra valer? -Disse com uma cara...
_É... Nã-nã-não... É só um...- Empurrei ela do abraço.
_Hm... Então não está rolando nada entre a gente?
_Não, claro que não.
_Hum... -Se despediu e se retirou do quarto.
Eu disse algo que não devia? Por que ela saiu desse jeito? Ai... Eu nunca vou entender as mulheres...
Toc toc
_Entra.
Era Anma.
_Oi, como está?
_Já estou quase bom, só um pouco de dor de cabeça, mas logo passa.
_Hm... Espero que passe mesmo. Fiquei preocupada contigo lá na sala. Quando eu vi a Tinna foi ligando para o hospital, eu fiquei muito assustada, não tive reação, não sabia o que fazer naquela situação. Mas ainda bem que você está melhor, ainda bem.
Tinna... Ela se importou comigo... Ela se importa... Ela... Ela é como eu. Nós nos combinamos em muitas coisas. Sempre querendo fazer o melhor pras pessoas, mas esquecemos de nós mesmos.
_Charlie, Charlie. Está me ouvindo? -Estava em transe, pensando na Tinna que nem escutei o que Anma estava falando.
_Oi, oi. O que eu perdi?
_Estava aonde? Em um mundo muito distante daqui? Estava no mundo da lua por acaso?
_Ai me desculpe, não queria te deixar no vaco, foi mal mesmo. Mas o que você estava dizendo?
_Estava dizendo se você quando melhorar e se quiser vir comigo numa festa. E não quero ficar "boiando" na festa. Não achei nenhum amigo que pudesse vir comigo. Estamos nessa juntos?
_Ah... É... Pode ser. Eu nem estava pensando em ir, mas se você quer que eu vá, por mim tudo bem.
_Ai valeu, valeu mesmo!! -Essas meninas...
Ela se retirou e deitei na cama de hospital, suspirando. Nossa essas meninas me tiram do fôlego...

Depois de tanto tempo sai do hospital... Que ótimo!!! Ai que alívio. Estava no meu quarto, na minha verdadeira casa. Eu tinha pego minhas coisas da casa do R3, e me despedi da casa dele. Ele ficou um pouco triste mais entendeu. Me despedi da mãe dele e disse que a comida dela é a melhor do mundo. Ela ficou muito feliz.

Entrei no computador, fiquei conversando com alguns amigos antigos meus, e falando da grande festa que vai ter amanhã. Falei que tinha companhia e eles ficaram me zoando como sempre. Fui dormir bem cedo o que não é o costume, mas sei lá, me deu vontade de dormir cedo e também quero deixar meu pai mais feliz do que ele está. E não quero estragar esse momento. Pois tudo o que é bom dura pouco.

No dia seguinte...

domingo, 2 de outubro de 2011

Capítulo 19- Uma nova personagem... Seu nome Anne Marie!


Uma semana depois... O Grande dia...
Fui o primeiro acordar. R3 ainda estava dormindo e eu arrumei o colchonete na qual ele tinha me emprestado e enfiei debaixo da cama dele onde era o seu habitual lugar.
Eu estava tão extasiado, pois hoje é o Nosso Grande Dia, o dia em que a gente ia tocar no 1° Festival da cidade. Estava contente mas ao mesmo tempo com frio na barriga.
Algum tempo depois R3 acordou. Ele trocou de roupa e ficamos fazendo "solinho" com nossos instrumentos. Ele com a batera e eu com a guitarra.
Sua mãe nos chamou para almoçar. A comida estava deliciosa.

Algumas horas depois... Chega a noite, o grande momento...
Eu e o R3 ainda estávamos nos arrumando. Algum tempo depois a gente acabou, lanchou e o carro que veio pegar a gente, chegou.
O carro era bem lindo, e não estava só a gente, já tinham pegado os outros dois. A banda já estava completa. A tensão estava grande. Ninguém conseguiu dizer nada durante todo o percurso. Quando chegamos, percebemos de como o lugar era enorme. Vimos outras bandas, que parecem ser boas, pela maneira, o estilo...
O nome da nossa banda é Guys Rock. Éramos o 3° Grupo a apresentar. É bom, mas mesmo assim estamos nervosos. Estávamos no nosso camarim esperando nos chamar. Algumas horas depois, éramos nós. Subimos no palco e me bateu um friozinho na barriga. Minhas mãos estavam tremendo, suando. Minha garganta estava seca. O R3 já estava na bateria, o DR no baixo, o P1 no microfone pronto pra começar a tocar, e eu na guitarra, suando frio. Cantamos 4 músicas do nosso repertório e 1 de outra banda. A primeira música foi "Because You're beautiful", a segunda foi "Never forget You", a terceira foi "Thought I could forget You", e "I can't lie to You".
Foi ótimo!! Nunca me senti tão bem. Cantar é bom demais e voltar a cantar então, foi melhor ainda! Amei, cada segundo, cada minuto que estive lá, foi extremamente fantástico!!!
Depois de algumas horas, teve o momento de tirar foto com os fãs e dar autógrafos.  Por mais que ficamos um bom tempo sem tocar, cantar, ainda temos fãs e isso é muito bom.
Depois de dar tantos autógrafos, eu vi uma pessoa que não via a muito tempo. Era nada mais nada menos que uma garota que era muito especial pra mim, era minha melhor amiga que tinha se mudado para outro país quando ainda éramos crianças. Eu chorei quando ela foi embora, senti muita falta dela. Mas quando nós somos crianças, depois de alguns dias, meses, esquecemos. Mas agora que eu a vi, a reconheci. Era a vez dela de tirar foto e pedir autógrafo da gente. Eu fiquei tão boquiaberto ao ver ela na minha frente que não sabia o que falar. Meu Deus, o que direi?
_Oi Charlie!! Quanto tempo!
_É... Muito tempo.
_Mas agora está ai tocando numa banda, que demais! Amei o show.
_Que bom que você gostou.
_Soube que fazia tempo que vocês não tocavam, que hoje era a estreia. Deve ter sido muito legal poder voltar de novo, ter uma nova chance.
_Sim, muito. Qual é seu nome mesmo?
_Ah sim, depois de tanto tempo nem lembra mais quem eu sou. Prazer, meu nome é Anne Marie.
_Oh, é verdade. Lembro que eu a chamava de Anma. Nada ver. Não sei o por quê eu a chamava assim.
_Sim. Era um apelido bem estranho, mas eu gostava.
_Ok, voltando. Onde você quer que eu autografe?
_Na minha agenda. Quero que você escreva: "Muitos beijos, muitas saudades da minha amada melhor amiga de infância, Anma. Com grande amor que escrevo isso, Charlie!"
_Ok. -Fazendo isso... Tirei também uma foto junto com ela, e dei meu telefone caso a gente possa conversar melhor em algum outro lugar.
_Ah e só pra acabar. Quero te dizer que vou estudar aqui, no mesmo colégio que você. Não é demais?
_É, claro! -Abracei ela e foi embora.
Nem acredito que encontrei uma amiga de infância. Outra. Só espero que não aconteça nenhuma tragédia, como a outra. ainda não consigo tirar aquela cena horrível da minha cabeça. Toda vez que lembro, meus olhos começam a encher de lágrimas. Mas voltando... Nem acredito que vi Anma, nem acredito.
Depois de algumas horas, acabou a sessão de autógrafos e de fotos, ainda bem! Minhas mãos já estavam começando a criar bolhas de tanto escrever. E já não aguentava mais sorrir. As vezes sorrir demais cansa. Nossa...

Chegando na casa do R3...
Eu e R3 entramos no quarto, eu e ele caímos na cama. Tipo, nós dois de lado na cama dele, de tão cansados que estávamos. Depois disso não me lembro de nada, só sei que eu e ele não tiramos a roupa e não sei quem foi que de alguma forma tirou nossos tênis e nos cobriu. Parece que tínhamos nos dopado de tão "podres" e meio atordoados que estávamos. Mas também depois de ontem, ficamos de ressaca. Nem fui pra escola hoje, dormi até uma hora da tarde.

No dia seguinte...
Hoje não posso faltar a aula, por mais que quisesse, não podia. A mãe do R3 é só boazinha no primeiro momento, tipo ontem quando deixou a gente ficar na cama. Mas hoje como esqueci de colocar o celular pra despertar, ela veio nos acordar. Que tristeza, queria tanto dormir mais. Mas eu levantei, troquei de roupa, penteei o cabelo, escovei os dentes, lavei o rosto pra tirar a cara de sono, tomei café, peguei meu skate e me mandei.
Chegando no colégio...
Entrei na sala e avistei uma pessoa sentada me olhando. Quem era? Anma. Fiquei perplexo, pois não tinha me lembrado que ela falou que ia estudar no colégio junto comigo. Dei aquele breve sorriso de canto pra ela e fui me sentar no meu habitual lugar, no fundo. Também avistei Tinna, que estava olhando para o seu espelho. Ela estava diferente, com uma expressão diferente. Parecia que não era ela, parece que é uma outra pessoa tipo aluna nova. Estava vestida diferente, um estilo diferente que nem sei explicar qual era. Usava um penteado diferente, não ele solto como de costume. Tinha um novo brilho no olhar, estava com um lindo sorriso... Mas o que é que estou fazendo? Olhando pra Tinna, sabendo da burrada que fizera. Estava tão hipnotizado, tão sem noção, que nem percebi o professor entrando e que já estava explicando a matéria no quadro.
Algum tempo depois... Péééééééééé
Era o sinal do intervalo. Que maravilha.
Dessa vez peguei meu lanche e não fui sentar na mesa junto dos meus amigos. Sentei numa mesa vazia pra tentar relaxar, ia colocar meu fone pra escutar música, até que aparece uma alma. Era Anma. Ela disse:
_Posso me sentar aqui? -Disse com aquele olhar que é impossível dizer não.
_Claro.
_Obrigada.
_De nada. -Ficamos um momento em silêncio, mas depois ela o quebrou.
_Ei, por que não veio ontem pra escola? Eu cheguei ontem, achei que iria te encontrar, poder conversar muitas coisas pra tentar recuperar o tempo perdido.
_Ah é, eu estava "podre" de cansado. Cheguei na casa do meu amigo eram duas horas da manhã. Porque a gente e o resto da banda fomos lanchar alguma coisa e conversa vai conversa vem, que já estava tarde. Então não aguentei levantar e dormi mais algumas horinhas. E como foi? Fez alguns amigos?
_Fiz duas por enquanto. Mas senti sua falta.
_Hum... -Nisso vi Tinna sentada conversando com algumas pessoas. Acho que essa não é a Tinna que conheci há um tempo, acho que é alguém disfarçado apenas com o corpo dela, pois a Tinna que conheço não conversa com ninguém. E também reparei que ela não estava me olhando, achei bem estranho, pois ela sempre me olhava.
_E ai como está seu pai? Sua irmã?
_Não estou morando com meu pai.
_Não? Por quê?
_Porque não aguentava mais ficar com ele. Ele me odiava, não prestava atenção em mim apenas na Cynthia. E também sai porque não queria ficar no mesmo teto que uma amiga, pois ela fez uma besteira, e não queria olhar na cara dela. Ela estuda aqui também.
_Nossa... Qual o nome dela?
_Tinna.
_Ah sei. É uma que fala com todo mundo, que ajuda todo mundo, conversa pra caramba. Pois ontem ela veio puxar assunto comigo. Falamos de tudo um pouco ou um pouco de tudo. Ela é bem legal, gostei bastante dela.
_Nossa... Acho que não estamos falando da mesma pessoa. Tem certeza que o nome dela é Tinna?
_Tenho. Por que?
_Nada.
_Tem alguma coisa sim. Está escondendo algo. Fala, por que?
_Porque quando conheci ela, ela ficava sozinha, só conversava comigo. E ai hoje, achei estranho.
_Hum...
Péééééééééé
A aula agora era de História. A professora entrou na sala e passou uma atividade... Em dupla. Ela que fez nossas duplas e eu fui com a... Tinna. Meu Deus! Os professores gostam de querer que eu faça dupla com Tinna. Que saco!
A Anma foi com um amigo meu. Ele se deu bem, eu queria ir com ela. EU!! Ai que droga!
Sentei ao lado dela e começamos a escrever as questões da atividade do quadro pra poder fazer. Ela não falou nada, só sobre a atividade, e voltava a escrever. Ela está conseguindo mesmo não falar comigo, só o básico, como tinha dito. Estranhei, achei que ela não ia consegui, eu estou surpreendendo com a atitude dela. Com a nova atitude, quer dizer.
Terminamos de fazer e entregamos pra professora. Coloquei minha mesa no lugar e coloquei os fones de ouvido, mas não por muito tempo. Porque eu fiquei olhando pra Tinna de como ela estava bonita com esse novo jeito, e depois olhei pra Anma e vi que ela é mesmo muito linda!
Algum tempo depois... Bate o sinal... Agora com Tinna narrando...
Arrumei minhas coisas dei uma última olhada no Charlie, ainda bem que ele não me viu, pois estava de costa. Depois disso sai correndo e esbarrei na Anma, a aluna nova. Pedi desculpas e fui procurar o carro do meu pai. Encontrei. Ele falou como foi meu dia hoje, e eu falei que foi ótimo, que está tudo indo sobre controle. Ele perguntou se está tudo bem comigo pelo fato de ter visto o Charlie, pois eu contei tudo pra ele sobre o que eu sentia pelo Charlie e o motivo de não está falando mais com ele. Meu pai reagiu bem quando contei que gostava de um garoto, achei que ia ficar bravo, pois todos os pais tem medo de perder "a garotinha" para algum garoto. Mas o meu pai não. Ele ficou até feliz quando disse a ele que amava o Charlie. Ele até me deu conselhos pra conseguir recuperar a nossa amizade. Ele meio que falou quase igual como o pai do Charlie disse pra mim. E eu estou fazendo o que eles me disseram. Meu pai disse pra eu fazer jogo duro, não conversar com ele e nem olhar. O pai do Charlie disse para eu viver a vida, pensar em outras coisas. Meu pai disse para eu conversar com outras pessoas e não ficar sozinha num canto, fazer novos amigos. E está dando certo até. Eu reparei em como o Charlie me olhava e de como estava achando estranho, pois a cada olhada, ele fazia uma careta estranha.
Liguei a TV e estava passando o jornal. Eu ia tirar, mas eles estavam falando do Festival e mostrou as bandas que se saíram muito bem e falaram principalmente uma que tinha saído por um bom tempo e que agora voltaram. Eles estavam falando da banda do Charlie, os Guys Rock, de como eles tinham mandado bem. E teve a sessão de autógrafos e de fotos. Apareceu a Anma, não sabia que tinha ido no show, nem sabia que conhecia o Charlie, quer dizer, eu vi os dois conversando na hora do intervalo, mas não sabia que eles eram tão amigos. Será que eles são namorados ou já foram? Será? Meu Deus, por favor que eu esteja errada, por favor! Não quero levar esse balde de água fria. Não quero perder ele, estou mudando pra vê se tenho alguma chance com ele. Quero ficar só com ele, somente ele. Sei que isso é exagero, mas eu o amo, o que posso fazer se o que sinto por ele é algo que não tem como explicar, não mesmo.


Momento Anma... Apenas ela narrando...
Ai voltei pra minha cidade natal. Voltei pra ficar... Eu acho. Meus pais vivem mudando, parece que não conseguem ficar em um lugar fixo, sossegado. Eu faço mais viagens do que fazer amigos. Já deixei tantos pra trás. É por isso que não gosto muito de fazer amizade, pois já sei que vou perdê-las e chorar tanto de inundar (exagerada, eu sei). E foi isso que perdi toda a adolescência do Charlie. E agora quando o vi, logo me apaixonei. Ele é lindo, talentoso... Quero recuperar o tempo perdido e tentar ficar com ele. Quero o muito.
E aquela Tinna? Ela parece ser bem legal. Mas eu vi a maneira de como ela olhava para o Charlie. Ele não viu, nem ela principalmente, mas eu vi. E eu vou logo avisando: Ele é MEU!!! Tira o olho. Eu vou fazer de tudo pra ficar com ele, pra ter a chance de namorar. É o que eu mais quero!



sábado, 1 de outubro de 2011

Capítulo 18- Filha pródiga

Na casa dos Hustton... Onde Tinna está no quarto...
Se o Charlie não voltar pra casa, acho que vou ter que ir embora... Não quero ficar aqui se a pessoa que deixou eu ficar não vai está, não quero!!! De jeito nenhum vou ficar aqui, preciso sair, preciso achar o meu verdadeiro lugar, quero mostrar um dia ao Charlie que serei uma pessoa melhor. Não essa horrível, essa ridícula!
Ah se pudesse, se pudesse voltar atrás, voltar nessa terrível história e poder apagar, poder fazer de novo mas de maneira diferente, uma maneira melhor. Não deveria ter contado a verdade a ele, não deveria ter sido sincera. As vezes sinceridade acaba com tudo, porque acabou com a minha amizade com Charlie e agora ele não quer nem olhar na minha cara. Que ódio!!! 
Ah essa hora ele já deve está longe, na casa de algum amigo, ou... Voltou com o ensaio da banda. Ai como eu queria está lá apoiando e escutando uma das músicas dele. Eu posso ter dito que odiava no começo, mas na verdade eu senti um pouco de inveja da minha amiga quando foi no show deles, mas fiquei com pena, pois sofreram aquele acidente no palco. E voltando, eu gosto muito da música deles, muito mesmo.

No estúdio de gravação...
Todos tinham gostado da minha música. Fiquei muito contente por isso, mas ainda sinto saudades de conversar com Tinna. Ela não sai da minha cabeça, eu sinto muita raiva disso, pois eu quero esquecer  mas continuo a lembrar.
Jenny nos disse que tinha uma surpresa pra gente. Ela falou que na semana que vem chega um festival de música na cidade. E ela já inscreveu a gente. Tipo foi muito espontâneo, muito rápido e sem nos consultar. Mas a galera toda gostou e que vamos tocar nesse festival. Meu... Que demais! 

Chegando na casa do R3, no quarto dele...
A mãe do R3 entrou no quarto dele e o abraçou pois estava muito feliz por ele ter finalmente arrumado o quarto. Ela até deixou ele ir na festa de um amigo dele que ia ter essa semana. Tipo um presente por ele ter arrumado seu quarto. Mas eu tive um dedo nessa história. EU arrumei o quarto, EU devia está ganhando o crédito. Mas ele é meu melhor amigo, me deixou ficar na casa dele, eu tive que me redimir, tive que ajudá-lo. Ele me olhou e disse em um sussurro: "Obrigado. Você salvou minha vida cara." Nossa... ajudei um cara, ajudei um brother, eu sou demais mesmo, não sou? Hahaha

Enquanto isso na casa dos Hustton...
O pai do Charlie se sentou no sofá, pegou seu habitual jornal e ficou pensando por um tempo. Nisso percebeu uma coisa e falou para Cynthia que estava ao lado dele fazendo seu dever de casa.
_Filha, cadê seu irmão? Não o vejo a dois dias.
_Ele... Ele está...-Não conseguia achar uma resposta agradável para seu pai. Nisso apareceu Tinna, que estava na cozinha mas escutou a conversa e foi ajudar Cynthia.
_Ele está na casa de um colega fazendo um trabalho de Inglês. É muito grande e daí precisa de bastante tempo pra fazer. -Ela tem mesmo um dom de mentir... Quer dizer, de achar respostas rápidas.
_Esse garoto está se interessando muito no colégio hein? Ele não é disso, é sempre desleixado com as coisas, nunca faz nada, e agora de repente começou a fazer. Muito estranho.
_Mas já está quase acabando o ano, já está na reta final. Agora é a hora pra tentar recuperar o tempo perdido.
_IR-RES-PON-SÁ-VEL. Isso que ele é. Um irresponsável. Só faz na última hora, sempre. Onde foi que eu errei? Onde? -Dito isso, foi subindo os degraus para ir ao seu quarto.
Passou alguma coisa na cabeça da Tinna, na qual ela disse isso alto, sem pensar. Ela disse: -Você devia ter um pouco de paciência com seu filho, ele faz de tudo pra ter um sorriso seu, e você sempre com essa cara de bravo. Não é a toa que ele fugiu. -Ops, Tinna falou demais. Não consegue ficar quieta.
_O quê? O que você disse? Ele fugiu? -Disse em tom de bravo. Tinna ficou um pouco assustada.
_Er... Sim. Ele fugiu. Por su... Sua causa! -Não ia querer falar que ela também tinha uma parcela de culpa por ele ter fugido.
_Por minha culpa? O que eu fiz, pra ele fugir?
_Ah, me poupe né? Você nem desconfia? Nem um pouco?
_Ahm?
_Charlie tem razão. Além de não perceber que ele existe, não percebe nem o próprio comportamento. Eu vou embora. Achei que o senhor fosse diferente. Achei que o que Charlie falava de você fosse da boca pra fora, tipo briga de pai e filho. Mas hoje percebi que ele está certo. Me desculpe por tudo, mas estou indo.
_Charlie falava de mim?
_Sim. Ele falava. Ele nunca falou bem de você pois você nunca mereceu. "Nunca presta atenção em mim, gosta mais da Cynthia do que eu." Era o que ele sempre dizia. E ele está certíssimo.
_Você está certa. Eu nunca dei bola pra ele. Desde que a mãe dele morreu. Eu a amava. Éramos tão felizes. Mas um dia, numa viagem, eu estava dirigindo, ela no meu lado, Charlie no banco traseiro e Cynthia na cadeirinha. Charlie estava brigando com Cynthia, ele nunca gostou dela, pois ele sempre achava que nós a amávamos mais do que ele. Minha mulher o mandava parar, mas não o parava. Eu já estava ficando nervoso, virei pra falar com Charlie com tom bravo e ele só tinha 5 anos. Nisso não estava dirigindo e então é que tivemos um acidente. Paramos no hospital, minha menina sofreu algumas fraturas. Charlie quebrou o braço, teve que engessar, eu só tive alguns pontos na perna e no braço e minha amada esposa não resistiu. Eu fiquei tão triste, pois eu a amava, ela tinha a vida toda pela frente, tão nova. E desde esse dia, eu culpo o Charlie por ter matado a mãe dele. Por ter me desconcentrado, e eu sei que ele só tinha 5 anos, mas eu estava com a cabeça tão quente que desde então eu faço essa diferença de amor, carinho... Com os dois.
_Nossa... Até que somos parecidos. Fizemos coisa ruins com Charlie.
_Você também fez algo de ruim para o Charlie?
_Fiz. Eu fugi de casa por causa de nota. Briguei com meu pai por causa de nota. E na escola no teste de história tirei nota baixa e fiquei muito mal que cortei um pouco do pulso e que desmaiei. Charlie que ligou para a ambulância. Ele ficou lá no hospital comigo e quando entrou no quarto fui muito grossa com ele. E mesmo assim não foi embora. Daí eu expliquei pra ele o motivo de eu ter feito isso, então ele contou a história dele que foi pior que a minha. Por eu ter feito algo tão banal, agora ele nem olha mais na minha cara, nem fala mais comigo. E agora sabemos o porque ele fugiu. Por nossa causa.
_Então você pediu ao Charlie, antes dele saber a verdade, pra ficar aqui em nossa casa? Se eu conhecesse bem o Charlie, diria que ele te amava.
_Sim. E por quê?
_Ninguém sem conhecer direito deixaria morar na casa de um, digamos que estranho. Com certeza ele te amava, com certeza.
_Nunca tinha visto por esse lado. Ele me amava... E eu estraguei tudo.
_Faz parte. A gente erra. Errar é humano, mas persisti no erro daí é burrice.
_Nem sei se agora Charlie irá me perdoar. Nem sei.
_Olha, eu não conheço muito bem o Charlie, mas se fosse você, iria pra casa, pedia desculpas para seu pai e viveria a vida. Porque se você ficar desse jeito se lamuriando, aí que você pode entrar em depressão. Então a melhor forma de fazer com que Charlie olhe pra você novamente, é mudar. Mude a atitude, faça algo em que o Charlie irá gostar, em que ficará com cara de bobão apaixonado.
_Mas será que vai dar certo?
_Tenho certeza. Vive a vida. Ela é muito curta pra desperdiçar com bobagens. Falo por experiência própria, como você ouviu.
_Com certeza.

Tinna foi ao quarto, pegou sua mochila, colocou todas as suas coisas. Foi até a sala, deu um beijo no rosto do pai do Charlie, e na da Cynthia. Disse a ele:
_Muito obrigada. Desculpe por tudo.
_Eu que tenho que me desculpar. Pode vir aqui visitar a gente, ok? Será muito bem-vinda.
_Valeu.
Pra Cynthia, ela disse:
_Desculpe por tudo ok?- Tirou o cordão dela e a deu na mão da Cynthia. Falou que era pra cuidar bem e pra que possa lembrar sempre dela.
_Eu te agradeço também por ter me ajudado. Valeu mesmo. -E as duas abraçaram-se.
Nisso ela se despediu, deu uma olhada na casa e se retirou. Demorou algumas quadras para que ela chegasse em sua residência. Quando chegou, bateu na porta, seu pai disse quem era? E ela falou que era sua admirada filha envergonhada e desesperada por um abraço e um pedido de desculpas. Ele abriu a porta, ficou extasiado por tê-la visto e a abraçou tão forte que não queria nunca mais soltar. Ela sussurrou no seu ouvido algo como "Sinto muito, por tudo. Eu te amo tanto, não queria nunca ter te magoado. Aprendi uma valiosa lição". Ele abriu um largo sorriso, colocou-a no seu colo e a abraçou mais uma vez. E disse algo como"Eu devia ter te segurado, ter conversado melhor...E Eu também te amo tanto". E os dois começaram a chorar... De felicidade!