quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O dia em que fiquei meio confuso... -Capítulo 23

Meu... Só de pensar que quando eu vi a expressão de desapontamento, raiva... Naquele olhar da Anma, me deu um ruim, pois eu estava chateado dela ter mudado e que agora talvez não vá deixar em paz a Tinna, para poder me ter. Até pareço algum prêmio, para ela me querer a qualquer custo.

Ai que ódio!!! Eu odeio aquela Tinna!! Como ela pôde ter beijado o MEU Charlie, como? Achava que ele gostava de mim, que se interessava. Ai, acho que ele não sabe o quanto eu o AMO, não sabe o quanto eu QUERO poder beijá-lo. Sonho com isso a muito tempo, e quando enfim tomo coragem, ele vai lá e beija aquelazinha. Ui, que ódio!!! Mas não vou desistir dele, não mesmo!

Charlie, Charlie... Não acredito que ele se declarou pra mim. Não acredito que ele gosta MESMO de mim. E eu achando que ele gostava da Anma. Parecia tanto que gostava, que até tinha desistido de querer pensar nele. Mas quando eu dei aquele beijo e ele não recuou, percebi que ele me ama, e eu fiquei MUITO feliz por isso! Eu te amo Charlie!!! Ah, e quero muito escutar a música que ele fez pra mim, não quero perder isso por nada.

Estou no estúdio para ensaiarmos. Estávamos cantando e tocando quando a Jenny nos interrompe com um recado que parece ser importante.
_Meninos, tenho aqui em minhas mãos uma notícia boa, mas também ruim. Qual vocês querem primeiro?
_A ruim, que daí depois a boa vai dar aquela aliviada. -Eu disse
_Bom... A ruim é que vocês vão ter que ficar longe de suas famílias e amigos.
_Longe por quê?
_Ai que entra a boa. Vocês vão fazer uma turnê, viajando em vários países, cantando suas músicas favoritas para seus queridos fãs!! Por alguns meses, ainda não tem previsão de volta, mas qualquer coisa eu vejo certinho.
_Que massa!! Meu que sonho!!! Mas pode levar uma pessoa? Ela é muito importante pra mim.
_Acho que não, não sei. Quem é? Que ai eu  posso ver com meus contatos.
_Bom... Por enquanto é só uma amiga.
_Hmmm... sei... Uma amiga. Ok, eu verificarei pra vê se dá. Depois eu te ligo.
_Beleza.
_Agora vamos ensaiar.
Então ensaiamos mais um pouco. Algum tempo depois terminou, e então eu sai a disparada pra casa da Tinna pra pedi-la em namoro e dizer se ela quer ir junto na turnê (embora eu ainda não saiba se pode ou não um/uma acompanhante, hehe).

Chegando à casa da Tinna...
Apertei o interfone umas três vezes e ninguém me atendeu. Será que ela foi ao hospital ver o pai? Verificarei se ela está com o celular.

Chamada em celular...
_Oi Tinna! Onde você está?
_Oi Charlie! Estou no hospital com meu pai. Ele ainda está muito fraco. O que você quer?
_Ah é que... Bem... Queria te ver e contar uma novidade, acho que você irá gostar.
_Ai que ótimo! Mas pode me contar mais tarde? É que quero ficar hoje ao lado do meu pai, mais tarde vou pra casa. Me desculpa!
_Não, tudo bem. Eu te ligo depois pra poder te ver. Beijos!
_Beijos!

Chamada em celular desligada... 

Que pena eu não poder ver a Tinna, queria muito. Mas deixa, assim eu espero a Jenny me ligar pra poder  dar a resposta.
Voltei pra casa, e fui direto ao banheiro pra poder tomar um delicioso banho. Estava realmente exausto. Terminando, coloquei minha roupa de dormir e fui até a cozinha fazer uma boquinha, pois realmente estava com fome. 
Já era aproximadamente umas onze horas da noite. Nisso aparece meu pai levantando do sofá, com um olhar que não sei bem como descrevê-lo. Não sabia se era de felicidade, tristeza ou raiva. Veio até mim e disse:
_Chegou essa carta hoje. Ainda não a abri, mas pelo que mostra aqui na frente, parece que é de alguma universidade. Você andou ligando para alguma faculdade escondido? Sem eu saber? Quando é que você ia me contar sobre isso?
_Ma-Mas eu não sabia disso. Nem estava tão interessado em universidades. Agora o meu foco é a banda. Poder realizar meu grande sonho: Ser um grande guitarrista! Nunca liguei pra nenhuma dessas universidades, se é o que você quer saber. Eu estou tão surpreso quanto o senhor.
_Então você não sabia disso? Hm... Então isso quer dizer que alguém muito importante andou te observando percebendo o quanto és talentoso, e quer que você participe de alguma universidade... Será que é uma bolsa?
_Nossa... Nunca pensei que alguém se interessaria por mim. Uau, ser famoso dá nisso viu? Sou o máximo mesmo! Bom... Qual é o nome da universidade, pai?
_Universidade de Manford. Deixo ver aqui... Fica há alguns quilômetros de distância daqui.
_Quantas horas daqui até lá?
_Umas seis horas.
_Seis horas?! Uau... Me dá essa carta, deixo abrir.
_Tudo bem.
Abri a carta com um pouco de receio pelo o que havia lá. Será que era uma bolsa como meu pai mencionou? Ou apenas uma entrevista? 
Então a abri e comecei a lê-la. Era sim uma bolsa e que era pra eu pensar no caso e que me dariam dois dias pra poder ligar e visitar a universidade... Será que eu devo ir?
Eu não sabia realmente se estava fazendo o certo, porque em menos de alguns dias estarei fazendo uma turnê pelo mundo e não sei a previsão de  volta. Não sei se farei universidade, não estava nem pensando nisso. Só penso na banda e na Tinna, o tempo todo... Mas o que eu realmente queria saber é: Quem foi que deu meu nome para essa universidade?! Quem seria capaz de uma coisa dessas?
Não estou nem um pouco zangado, mas estou surpreso, porque ninguém se importaria comigo numa ocasião como essa, além do meu pai, é claro.


terça-feira, 1 de novembro de 2011

Capítulo 22- Será que fiz algo errado?

Hoje acordei mais disposto, mais contente. Pois hoje tem ensaio da banda. Acho que hoje vai ser o dia pra que eu mostre aquela canção pra eles... Ou não. Acho melhor não. O DR acho que está gostando da Tinna e não quero perder amizade dele por causa de garota. Mas que essa canção é demais, isso é.
Me arrumei, tomei café, escovei os dentes, peguei meu skate e sai a disparada.
Chegando ao colégio... 
Fui até meu armário, abri-o e vi uma foto da Tinna e da Anma. Eu sou um maluco mesmo pra ficar colocando fotinho de garotas no meu armário sendo que elas não são nada minha. Ouço passos e levo um susto. De quem? Da Tinna. Ela chegou de mansinho, e ainda bem que eu fechei meu armário. Ufa...
_Oi Charlie! Te assustei?
_Oi e não... Imagina... -Mentindo na cara dura...
_Tudo bem?
_Tudo sim e você? Soube que você foi numa convenção...
_Tudo e é verdade, eu fui. E foi muito maneiro.
_Que bom... -Senti muito a falta dela, mas não vou dizer isso a ela.
_E o seu fim de semana foi bom?
_Foi legal até...
_Hm... Ah e eu perdi muito assunto, nesse período que faltei?
_Perdeu só em algumas matérias. A de Biologia teve assunto novo (depois te empresto, se quiser), a de História teve prova, depois é só você fazer segunda chamada, de Português uma atividade, e enfim, só isso de importante... Que eu me lembre.
_Nossa... Estava difícil a prova de História?
_Um pouco, mas você é inteligente, vai conseguir tirar de letra.
_Ou não né? Lembra aquele teste que tirei nota baixa? Não gosto nem de lembrar desse dia...
_Ah é verdade... Mas você mudou, sei que agora não vai acontecer mais isso... Ou vai?
_Nããããooo... De jeito nenhum que eu vou fazer uma coisa dessas. Nunca mais!
Péééééééé
_Bateu o sinal... Vamos?
_Vai indo, preciso falar um negócio importante com alguém.
_Você? O lance é sério então, pra você não entrar agora na sala.
_Um pouco sim.
_Você quer que eu fique aqui com você?
_Não precisa Charlie. É particular.
_Ok.

A aula era de Física. Ele passou algumas atividades no quadro e eu consegui tirar de letra. Não todas, mas algumas eu consegui. De 10 questões, 7 consegui fazê-las. Sou demais (hahahah).
A Tinna ainda não havia chegado. Estou preocupado, o que será que está acontecendo? Será que ela desmaiou de novo? Será? Ai cara, eu preciso vê-la, não quero que aconteça o mesmo que aconteceu antes. Preciso ficar com ela, não sou namorado, mas sou amigo e amigos se preocupam.
Terminei a atividade e fui entregar para o professor. Pedi a ele se podia ir ao banheiro (na verdade era pra saber o que houve com a Tinna), mas é melhor inventar uma "desculpinha".

Estava no corredor e vi a Tinna chorando. O que houve com ela? Cheguei nela e disse:
_O que aconteceu? Por que está chorando?
_Entrou um cisco no meu olho. -A velha desculpa do cisco...
_Não pode ser só isso... Pode me contar, eu escuto. Quero saber qual é o motivo de você está triste.
_Meu... -Soluçando e chorando- Meu pai descobriu que está com câncer... Não quero perder meu pai Charlie, ele é tudo pra mim. Não quero que ele morra! Eu preciso dele. -Chorando
_Calma... -Abracei-a pra tentar acalmá-la um pouco- Ele descobriu digamos que há pouco tempo ou já faz um tempão?
_Faz uma semana que ele descobriu. Eu estava na convenção e não deu pra ficar com ele. Agora ele está no hospital e quero ficar com ele, poder vê-lo, saber como ele está. Ai Charlie, não é justo com meu pai, eu devia está no lugar dele, EU!!! Eu que fiz coisas erradas, ele não. Eu que devia ganhar esse castigo, não ele. 
_Calma Tinna. Se faz uma semana, e se ele já está no hospital, talvez dê pra ele ficar bom. Você vai ver, daqui a pouco ele vai está ai de volta, normal.
_Espero Charlie! -Me abraçou e a abracei de volta. -Charlie, me faz um favor, diz para os professores que irei faltar alguns dias pra poder ficar com meu pai?
_Não. Você não pode faltar, agora é a reta final. Só vai ter provas. Principalmente que vai ter só revisional para o vestibular e é o seu sonho poder passar em uma boa universidade. Então espero que você não desista dessa chance ouviu?
_Charlie é o meu pai! Eu não posso pensar em vestibular sabendo que meu pai está em um leito de hospital. 
Já não me perdoo por ter brigado com ele aquela vez, agora não quero perder de novo uma chance de ficar com ele, principalmente numa situação como essa. E vestibulares eu posso conseguir ano que vem. Agora o meu pai é mais importante.
_Ok Tinna. Se você quiser eu posso ficar contigo hoje no hospital.
_Você faria isso por mim? Você não tem nada de importante pra fazer hoje?
_Na verdade tenho, mas se você quiser eu largo as minhas coisas pra ficar contigo.
_Obrigada, mas não precisa fazer isso por mim, é sério. Eu posso ir sozinha.
_Tem certeza?
_Tenho, e muito obrigada por se preocupar.

Fui no estúdio para ensaiar, mas estava com a cabeça na Tinna por causa do que houve com seu pai. Não consegui me concentrar direito que meus amigos perguntaram o que estava acontecendo, mas menti. Não queria dizer o que estava rolando, pois era pessoal, não queria que ficassem sabendo que o pai da Tinna está doente, não mesmo.

Estava em casa meio pensativo que nem vi meu pai. Só fui subindo para o meu quarto. Entrei, joguei minha mochila num canto e sentei. Estava mal, não era meu pai, mas estava triste por Tinna. Eu a amo, mas não podia dizer isso a ela, pelo menos não nessa situação. Agora ela só precisa de um bom ombro amigo, e eu quero dar esse ombro a ela, EU.

Com meu pai no hospital, não consigo ver o Charlie como via antes. Eu posso ter o amado antes, mas agora parece que está esfriando. Acho que ele nem gosta de mim, não devia ficar pensando em uma pessoa que nem pensa o mesmo. E agora com o meu pai doente, esse amor que tanto o sentir, agora já não está tão forte. E também acho que ele gosta da Anma, sua amiga de infância. Não devo interferir na vida romântica deles, não mesmo.

Será que gosto da Anma tanto quanto gosto da Tinna? Ou eu gosto da Tinna? Bom... A Anma eu conheço desde pequena, mas a Tinna ficou um ano todinho comigo, embora a gente tenha brigado por um tempo. Ai isso é tão confuso, não sei em quem escolher se algum dia elas me pedirem pra escolher entre as duas. Eu amo cada uma delas, mas não posso ficar com as duas, embora essa ideia não seja tão ruim. Anma... Tinna...

Charlie... Charlie... Te amo tanto. Você foi o único em que meu coração escolheu ficar. Em todos os lugares em que fui com meus pais, alguns dos garotos em que fiquei e nenhum foi tão carinhoso como você. Mesmo eu ainda não tê-lo beijado, eu sinto que o seu beijo, seu amor, deve ser tudo. Como eu quero poder ficar contigo, como eu desejo te ter aqui ao meu lado...

No dia seguinte...
Hoje é o dia. Hoje é o dia em que vou dizer tudo o que sinto pela Tinna. É a hora. Eu preciso... Desculpa DR mas eu conheço a Tinna há mais tempo que você, então não adianta ficar bravo comigo. É minha última chance senão já era.
Chegando ao colégio mais cedo, vi Tinna sentada em um dos bancos. Achei que ela não ia vim mais para o colégio por causa do pai. Mais que ótimo, assim tenho tempo pra falar com ela. Chegando nela, disse:
_Oi, preciso falar contigo.
_Oi, fala.
_Eu estou pra te falar isso há um tempo já, mas nunca tive coragem. Eu sou muito afim de você desde quando te vi pela primeira vez, quando você foi super grossa comigo por falar simples oi, por eu ser apenas um guitarrista. Mesmo quando você cortou os pulsos aquela vez, que fiquei mega preocupado, eu ainda estava apaixonado. Eu te amo Tinna, sempre te amei. Fiz até um poema pra você que talvez vai se transformar em canção, se sinta privilegiada, pois faz um tempinho que não componho algo que preste. Quer ouvir?-Ficou um momento em silêncio, de certo é pra tentar digerir tudo o que disse até agora. Será que ela está gostando ou vai me ignorar? Ai que medo...
_Charlie... Você gos-gosta mesmo de mim? Eu não tenho nem palavras, achei que você gostasse da Anma por ela ser sua amiga desde infância. Mas agora que você disse tudo isso a mim, quero dizer também uma coisa.
_Diga.
_Eu também quando te conheci gostei de você. Só tinha sido grossa contigo porque achei você um pouco metido, mas depois que o conheci mais, me apaixonei completamente. Você tinha sido o cara mais genial que uma garota podia imaginar. Se importou comigo quando desmaiei, me acolheu na sua casa quando briguei com meu pai, tantas coisas. Muito obrigada Charlie, muito obrigada mesmo. Mas sei que você não me ama verdadeiramente. Acho que você só disse isso por pena, por causa que meu pai está no hospital e você quer me apoiar mais ainda... Por pena... Eu agradeço muito pelo que você está tentando fazer por mim, mas se for assim eu não quero. Acho que bem lá no fundo, você ainda ama a Anma. Me desculpa por tudo, se não te correspondi, mas acho que meu amor por você não era o que esperava.
_Tinna... Não, não é por pena. O que eu falei foi lá no fundo do meu coração. Eu te amo Tinna Baker, te amo mais que o ar que respiro, mais que tudo na minha vida. Fica comigo, por favor. Exagerei um pouco, mas é assim que me sinto.
_Meu Deus... Você me ama, me ama mesmo. Esse olhar, esse jeito de falar... Você me ama de verdade e é só isso que basta, pra fazer o que tanto esperei pra fazer.
_O quê? -Disse sem entender absolutamente nada.
_Isso. -Nisso ela pegou minha camisa, que me beijou. E que beijo bom viu?! Continuei beijando já que tinha gostado. Mas aconteceu o inesperado... Anma acabara de chegar e me viu beijando a Tinna. Ela saiu correndo com os olhos cheios d'água. Fiquei com pena, mas não sei se vou até lá conversar com ela e deixo a Tinna. Ai que confuso.
Bom... De tanto pensar fui correndo procurar ela. A Tinna? Deixei-a sentada com um olhar que nao sei nem decifrar. Acho que ela vai entender o porquê de eu ter feito isso.

_Anma... Espera!
_Vai embora Charlie! -Lágrimas rolando soltas, traduzindo: chorando.
_Desculpa pelo que viu, mas... Ai não sei explicar.
_Não precisa, já entendi. Achei que você me amava, que seríamos "alma gêmea", mas você me fez de trouxa, Charlie! Achei que você tinha ficado feliz em ter me visto quando cheguei a primeira vez aqui, e agora quando eu chego, você está aos beijos com "aquelazinha"!
_Não fala assim da Tinna, você não a conhece como eu a conheço! Eu a amo.
_Não, eu o amo, Charlie, e se você pensa que vou desistir de você, está MUITO enganado! Tchau.
_Anma... Que papo bizarro é esse? Não vai desistir de mim?
_Pode chamar como for: estranho, bizarro, maluco... Mas eu continuarei te amando e não desistirei.
_Ok, mas se alguma coisa de ruim acontecer com a Tinna,  nunca vou te perdoar!
_Veremos Charlie! Você ainda vai me amar tanto quanto eu amo, e vai esquecer a Tinna!
_Você não era assim, está muito diferente da garota que eu conhecia há um tempo atrás.
_Aquela idiota de óculos que era sempre bobinha e que todos riam dela? Bom... Aquela garota deixou de existir se você quer saber, pois ela cresceu, amadureceu.
_Eu gostava DAQUELA garota, sempre gostei!
_É... Mas agora é tarde de mais, a sua garota mudou. E você ainda vai ser meu! Me aguarde Charlie Hustton!

(Continua)

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Capítulo 21- Garotas...

No dia seguinte...
Despertador toca. Levantei, troquei de roupa, tomei café, escovei os dentes e quando ia pegar meu skate para ir ao colégio, meu pai diz que ia me levar, pois não queria que me machucasse de novo. É... Ele está mudando mesmo. Que mudança... 
Chegando ao colégio...
Me despedi do meu pai e entrei. Fui até meu armário, dei umas olhadas nele, pois tinha um poema que fiz a muito tempo quando era criança para a Anma, mas fechei rapidamente, pois ela chegou em seguida. 
_Oi Charlie! Bem?-Disse com os olhos piscando. 
_Oi. Tudo sim, e você?
_Bem também. O convite da festa ainda está de pé? 
_Sim, claro.
_Ai que ótimo!!! Hoje vou arrasar, vou está bem linda!! 
Glup. Suava frio. Ela vai acabar me enlouquecendo, tenho certeza. 
_Ahn, claro, perfeitamente, não duvido. Tenho certeza que você ficará linda. Quer dizer, todas as garotas ficam lindas em festas. 
_SIM! Mas eu vou ficar belíssima!! 
Mil vezes glup. Ela vai me enlouquecer, vai mesmo. 
Bate o sinal e entramos na sala. O professor não havia chegado e Tinna veio em minha direção. Disse:
_Eu soube que vai ter uma festa. Eu quero ir, e quero saber se você quer ir comigo. Não quero ir sozinha. Você quer ser meu parceiro? 
Ai caramba. Suando frio, de novo. Elas vão me enlouquecer, tenho certeza, definitivamente. 
E agora o que eu vou dizer? Não posso magoá-la, não posso dizer que já tenho uma parceira. Embora seja verdade. Ou eu serei sincero e posso deixá-la triste, ou posso mentir e daí posso deixá-la feliz. 
_Claro. Eu serei seu parceiro. -O que eu estou dizendo? Porque disse isso? Eu já tenho uma parceira. E agora como eu vou sair dessa enrascada? Como? -Na verdade... Eu não posso ser seu parceiro. -Que não me bata, que não se irrita, que não corte os pulsos... 
_Tudo bem. Eu já desconfiava. Você ficou com uma cara que já tinha uma parceira. 
_Tinha? 
_Sim. Mas deixa. Beleza, eu entendo. Você é bonito e sei que todas as meninas querem ser sua parceira. -Ela me olhou com uma cara que me deixou com pena. 
_Ei, eu sinto muito. Sério. Mas é que a garota que é minha parceira já tinha pedido antes. Desculpa.
_Ok. Eu não ligo, por mim tudo bem. Espero que você se divirta. 
_Mas você não vai? 
_Como? Sem parceiro eu não quero ir. Sozinha jamais! Não quero mais ser deslocada, sem ninguém. Pra que vou passar vergonha?
_Tinna... Eu... Não queria ter dito isso. Não queria te deixar assim triste... Eu...
O professor entra na sala e manda todos sentarem. Droga! Logo agora que estava falando algo importante com Tinna, chega o professor. 
Fico olhando pra Tinna,  mas ela estava prestando atenção no professor. Como sempre. Ela é linda. Eu não queria magoá-la, longe disso, eu quero sempre o melhor pras pessoas, sempre. 

Acabaram as primeiras aulas, e agora era o intervalo. 
Fui até Tinna e disse: 
_Eu... Sinto muito. Se você quiser eu peço para um dos meus amigos ser seu parceiro. Você quer? 
_Hum... Têm que ser bonitos. Se forem, eu quero. -Sendo irônica.
_Tudo bem. Têm uns que são lindos. -Entrei na brincadeira.
_Ok então. Me liga pra dizer quem vai ser meu parceiro. E tem que me pegar antes do horário, pois eu demoro pra me arrumar.
_Beleza.
Nisso ela saiu de perto de mim e foi falar com uns de seus amigos.
Eu gosto dela, gosto de ficar perto, de sentir seu cheiro... Mas não sei se vale a pena ficar com ela, se vale a pena namorá-la. E também gosto da Anma.

Cheguei em casa e fui logo para o computador pra saber se um dos meus amigos querem ter a companhia da Tinna na festa.
Quem aceitou ir à festa com Tinna foi o DR.

Me arrumei para festa e fui à casa da Anma para irmos. Chegando lá...
Toc toc
_Quem é?
_Charlie.
_(abrindo a porta) Oi, entra. Senta ai no sofá que eu estou quase terminando de me arrumar.
_Ok. -Esperei, esperei e esperei. Garotas demoram tanto pra se arrumar...
Alguns minutos depois...
_Pronto. Podemos ir.
_Até que enfim. Aleluia!!
_Ai que exagero. Bobo.
Então como tinha pedido o carro emprestado para o meu pai, fui um grande cavalheiro e abri a porta pra ela.

A festa estava muito maneira. Tendo luzes piscando bem bacanas, bebidas (alcoólicas ou não), entre outros.
Depois pedi pra Anma se ela queria dançar. Ela aceitou. Foi bem divertido. Algum tempo depois eu vi o que queria vê mas também não queria. Confuso não?  Mas é que vi a Tinna chegando, e ela estava surpreendente linda, muito linda! E o DR estava ao lado dela. Confesso que fiquei um pouco mordido com isso, mas já tinha uma parceira, não é?    
Enquanto estava em transe olhando pra Tinna, veio um cara me convidando pra subir no palco pra cantar uma das músicas da banda. Bom... Eu fui, não podia deixar na mão um camarada. Cantei "Because You're Beautiful". E quando cantei estava olhando pra Anma, e depois pra Tinna, mas ela não estava me olhando. Estava muito ocupada conversando com o DR.
Tinha terminado a canção, e coloquei as mãos nos bolsos e percebi que tinha uma canção lá. Uma canção que ninguém conhecia, nem a própria banda. Apenas eu. Eu criei essa canção. E eu fiz especialmente pensando na Tinna. Eu sei que parece meio idiota, pois como disse que amo a Anma e não queria mais saber da Tinna e agora estou apaixonado por ela de novo.
Anma estava no banheiro. Acho que ela estava se maquiando ou outra coisa. Por um tempo eu vi Tinna sozinha, acho que o DR estava no banheiro ou buscando um suco pra ela. Enquanto ele estava demorando, cheguei até ela e disse:
_OI, ESTÁ SE DIVERTINDO?-Falando alto pois tinha bastante gente conversando, dançando, cantando...
_SIM!!!! OBRIGADA POR CHAMAR O DR PRA SER MINHA COMPANHIA!
_DE NADA. EU TIVE QUE FAZER ISSO, NÃO DEIXARIA VOCÊ FALTAR NUMA FESTA DIVERTIDA COMO ESSA. VOCÊ MERECE!
_OBRIGADA. -Disse envergonhada
_MAS VOCÊ GOSTOU DA COMPANHIA? NÃO ACHOU ELE MUITO CHATO NÃO?
_NÃO, ELE É DEMAIS! EU GOSTEI MUITO DELE.
_HM... QUE BOM. GOSTEI MUITO POR VOCÊ ESTÁ SE DIVERTINDO.
_E VOCÊ ESTÁ SE DIVERTINDO COM A SUA PARCEIRA? AINDA NÃO SEI QUEM É.
_ESTOU. E A MINHA PARCEIRA É A ANMA.
_AH... LEGAL...
Acho que nós dois estamos com ciúmes, digamos assim. Pois quando ela disse que gostou de ficar com o DR, eu fiquei um pouco mordido. E quando eu falei da Anma, ela fez uma cara de chateada, ou seja, com ciúmes.
_EU VOU LÁ FICAR COM A ANMA, ELA JÁ SAIU DO BANHEIRO. TCHAU, DEPOIS NOS FALAMOS.
_OK!
Fiquei ao lado da Anma a noite toda como tinha combinado. Nós dançamos, mas não rolou nada entre a gente. Uma pena, pois eu olhei pra Tinna e o DR deu um beijo nela.
DR... Tinna...

Levei Anma pra casa dela, e não rolou nada entre a gente. Eu cheguei em casa, fui no meu quarto e deitei na cama. Estava exausto. Ainda bem que era fim de semana.

Enquanto isso... Tinna narrando... 
Não sei como aguentei olhar para o Charlie sem vomitar, pois não acredito que o vi com "aquelazinha" na festa, ui. Fiquei com tanto ódio que não consegui tirar os olhos deles. Por que ele fez isso comigo? Por quê? Eu sei que fiz tudo errado antes, mas ele viu que eu mudei. Mudei...
Mas depois não entendi o por quê do DR me beijar, mas eu gostei. Embora eu ainda goste do Charlie, o DR é bem fofo, legal...
_Filha, vem aqui embaixo! Quero te falar uma coisa importante. Você vai gostar.
_Já vou. -Desci as escadas e fui em direção ao meu pai. - O que é?
_Eu consegui com que você fosse naquela convenção de garotas que você tanto queria.
_Sério? -É demais. Eu sonhava com isso toda noite, e agora meu sonho se realizou...
_Sim filhota! -Ele me pegou no colo, me dando um abraço bem forte e um beijo.

Essa semana foi bastante corrida. As aulas passaram voando. Descobri que Tinna tinha ido numa convenção de garotas e que faltou essa semana de aula por causa disso. Depois da festa, não vi a Tinna. Senti falta dela essa semana. Não sei porque, mas descobri que cada vez estou ficando mais apaixonado por ela. Não entendo, ela fez coisa errada, magoou o pai, me magoou e mesmo assim a amo. Ô coração, por que isso? Decida. Eu gosto da Anma e você está doidinho pela Tinna.

A aula de natação foi puxada hoje. Até pareceu mais empolgante, mas na verdade foi mais um cansaço. Quero chegar em casa, tirar essa roupa molhada, tomar um banho e comer alguma coisa.
Depois que cheguei em casa naquele dia da festa, quando Charlie me levou pra casa, fiquei ainda mais apaixonada por ele. Mas sei lá, parece que não o aproveitei muito, fiquei mais naquele banheiro por causa da maldita cólica. Por que surgiu justo no dia mais legal da minha vida? Ai que saco. Daí percebi depois que Charlie só ficava olhando pra aquela Tinna. Cantou a música olhando pra ela. Mas uma coisa eu gostei... O parceiro dela, a beijou. Com certeza os dois ficarão juntos e eu ficarei com meu amado Charlie. Mas se eles não ficarem, eu dou um jeito pra que dê certo, pra que fiquem juntos. Para que o Charlie seja só meu. Eu amo o Charlie, sempre amei, e não vai ser uma garota de quinta que vai estragar isso.

Estava tão feliz e nada ia estragar isso. Cheguei em casa cansada, óbvio. Mas foi tão legal, tão prazeroso. Queria ter ficado mais tempo, embora tenha ficado uma semana. Ai, meu pai é demais mesmo. Ele conseguiu fazer com que fosse nessa convenção. Eu agradeço muito por ele ter conseguido essa oportunidade maravilhosa.
Essa convenção me fez ver o quanto eu estava errada de achar que todos os homens são iguais. Mas na verdade nem todos são. Não o Charlie. O Charlie é o tipo de homem que toda garota no mundo queria ter. E eu sou uma delas. Ai como eu amo o Charlie. Mas aquela Anma está no meu caminho. O Charlie olha pra ela de um jeito... Eu acho que ele gosta dela. Se eu não fazer alguma coisa, eu perderei o Charlie pra sempre.


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Capítulo 20- O dia em que fui parar no hospital... De novo!

Não sei como aguentei olhar para o Charlie sem vomitar, pois não acredito que o vi com "aquelazinha" na festa, ui. Fiquei com tanto ódio que não consegui tirar os olhos deles. Porque ele fez isso comigo? Por quê? Eu sei que fiz tudo errado antes, mas ele viu que eu mudei. Mudei...

Semanas antes...
Estava na cama quando olhei no relógio e percebi que estava atrasado. Como sempre.
Levantei, me arrumei, peguei meu skate e sai a disparada. Não estava prestando atenção em nada quando tropeço em algo. Numa pedra. Me ralei todo, mas pensa que parei? Continuei andando.

Chegando ao colégio...
Entrei no colégio, fui até meu armário pegar meus cadernos e entrei na sala. Quando entrei vi a cara de espanto dos meus colegas. Não sei porque pois eles sabem que chego atrasado. Mas o que eles estavam assustado foi que meu corpo estava completo de sangue, que eu não tinha percebido. Depois que olhei fiquei muito assustado, pois pra mim só tinha sido uma quedinha de skate que as vezes acontece. Mas ali não, ali eu vi aquela quantidade de sangue que estava na minha camiseta e na calça. E depois disso apago.

Senti um ar gelado penetrando em meu corpo. Abri os olhos bem devagar e vi que estava em um hospital. Como fazia tempo que não ia no hospital como paciente, pois a última vez que vim como paciente foi quando tive o acidente no palco. E depois só vim como visita. Só sei que não me lembro como vim parar aqui. Não mesmo.
Olhei o quarto e percebi que não estava sozinho. Meu pai estava lá. Meu pai! O homem que nunca presta atenção no filho, agora estava lá, sentado, me olhando fixamente. Quem foi que chamou ele ali? Quem?
Acho que já sei, deve ter sido o colégio, eles tem os números dos alunos caso aja alguma emergência.
Ele veio mais perto de mim e disse:
_O que você fez Charlie? -Com aquele olhar de desapontado.
_Nada, oras.
_Como nada? O que aconteceu? Quando vi sua camisa cheia de sangue achei que tinha acontecido algo grave.
_Não é nada que você possa se preocupar. Já estou legal, pode ir embora.
_Charlie, Charlie Charlie. Sempre querendo se cuidar sozinho. Sempre. Eu estou aqui, pode contar comigo. Sei que não fui o melhor pai até agora pra você, mas quero mudar, quero muito.
_O que houve? Está tirando uma com a minha cara? É isso? Você mudar? Desde quando?
_Ué, uma pessoa não pode querer ter vontade de mudar?
_Ahm... Quem sabe? Desde que mude de verdade, que não seja nenhuma farsa. Por mim pode.
_Obrigado filho. Não vai se decepcionar.
_Eu já conheço essa frase. -Risos- Ok, espero mesmo.
Ele chegou mais perto e me abraçou. Isso foi até legal. Nunca pensei que meu velho pudesse querer mudar. Mas será mesmo?
_Então... Depois disso, vai querer voltar pra casa?
_Não sei... Está tão bom onde estou morando... Tão legal!
_Ah Charlie, por favor, a Cynthia sente muita falta de você. Volta.
_Só a Cynthia? -Fazendo jogo duro.
_Ah moleque para de graça, é sério, por favor volta!
_Só se você falar que sentiu muita falta de mim, que me ama muito e que chorou.
_Você quer que eu fale isso tudo? Está ficando muito convencido hein? Com quem você está andando?
_Não mude o assunto. Fala.
_Tá bom. Eu senti muito sua falta, chorei e te amo muito. Satisfeito?
_Muito. -Hahaha. Ri muito agora.
_Ei Charlie, agora que você está melhor, tem alguém que quer falar com você. Ou duas querem.
_Quem são?
_Tinna e Annie Marie.
_Ai diz que não estou.
_Charlie... Fala com as duas. Quer dizer, escolhe uma pra falar, pois só pode uma agora. Depois só mais tarde.
_Ok. Chama qualquer uma aí.
_Vou chamar a Tinna então.
_O quê? Por quê?
_Ué, não é pra chamar qualquer uma. Então, vou chamar a Tinna.
_Ok. Chama ela lá, e diga a ela pra ser rápido, que eu quero dormir.
_Tudo bem dorminhoco.
Então ele chamou a Tinna. Ela entrou no quarto com o rosto meio que envergonhada. Meu pai saiu do quarto e então ela disse:
_Oi, está melhor?
_Só um pouco com dor de cabeça. -Vou ser um pouco grosso com ela, já que ela foi comigo aquela vez. -E o que faz aqui? Quero ficar sozinho.
_Ah é que... Que... Eu sinto muito. -Estava indo para a porta quando...
_Espera... Foi mal. Pode ficar. Só fiz isso mesmo porque você fez isso comigo. Só queria te mostrar pra vê como é ruim quando a gente se preocupa com a pessoa e ela ser grossa.
_Me desculpa... Mesmo... Eu sinto muito, por tudo! -Colocou as mão nos olhos e se pôs a chorar.
Garotas são tão sensíveis... Vou tentar consertar isso. Peguei a mão dela e a abracei. Ela colocou um longo sorriso no rosto. Foi lindo vê-la sorrir.
_Obrigada Charlie por isso. Mas eu vim aqui pra saber se você pode me perdoar. Por favor, eu não aguento ficar sem falar com você. Eu mudei por você, falando sério. Eu sai da sua casa, pedir desculpas para o meu pai, e agora eu estou conversando com bastante gente. Me perdoa? Eu prometo que nunca vou mentir pra você, prometo ser mais sincera da próxima vez. Mas isso é a única coisa que te peço, a única e nada mais.
_Hum... Tudo bem. Se você pediu desculpas para seu pai e conseguiu mudar e ainda por cima fez isso por mim. Ninguém nunca fez nada por mim, nada mesmo.
_Ai valeu, valeu mesmo. -Me abraçando.
E abracei-a também.
_Você... Eu... Isso que está rolando... É pra valer? -Disse com uma cara...
_É... Nã-nã-não... É só um...- Empurrei ela do abraço.
_Hm... Então não está rolando nada entre a gente?
_Não, claro que não.
_Hum... -Se despediu e se retirou do quarto.
Eu disse algo que não devia? Por que ela saiu desse jeito? Ai... Eu nunca vou entender as mulheres...
Toc toc
_Entra.
Era Anma.
_Oi, como está?
_Já estou quase bom, só um pouco de dor de cabeça, mas logo passa.
_Hm... Espero que passe mesmo. Fiquei preocupada contigo lá na sala. Quando eu vi a Tinna foi ligando para o hospital, eu fiquei muito assustada, não tive reação, não sabia o que fazer naquela situação. Mas ainda bem que você está melhor, ainda bem.
Tinna... Ela se importou comigo... Ela se importa... Ela... Ela é como eu. Nós nos combinamos em muitas coisas. Sempre querendo fazer o melhor pras pessoas, mas esquecemos de nós mesmos.
_Charlie, Charlie. Está me ouvindo? -Estava em transe, pensando na Tinna que nem escutei o que Anma estava falando.
_Oi, oi. O que eu perdi?
_Estava aonde? Em um mundo muito distante daqui? Estava no mundo da lua por acaso?
_Ai me desculpe, não queria te deixar no vaco, foi mal mesmo. Mas o que você estava dizendo?
_Estava dizendo se você quando melhorar e se quiser vir comigo numa festa. E não quero ficar "boiando" na festa. Não achei nenhum amigo que pudesse vir comigo. Estamos nessa juntos?
_Ah... É... Pode ser. Eu nem estava pensando em ir, mas se você quer que eu vá, por mim tudo bem.
_Ai valeu, valeu mesmo!! -Essas meninas...
Ela se retirou e deitei na cama de hospital, suspirando. Nossa essas meninas me tiram do fôlego...

Depois de tanto tempo sai do hospital... Que ótimo!!! Ai que alívio. Estava no meu quarto, na minha verdadeira casa. Eu tinha pego minhas coisas da casa do R3, e me despedi da casa dele. Ele ficou um pouco triste mais entendeu. Me despedi da mãe dele e disse que a comida dela é a melhor do mundo. Ela ficou muito feliz.

Entrei no computador, fiquei conversando com alguns amigos antigos meus, e falando da grande festa que vai ter amanhã. Falei que tinha companhia e eles ficaram me zoando como sempre. Fui dormir bem cedo o que não é o costume, mas sei lá, me deu vontade de dormir cedo e também quero deixar meu pai mais feliz do que ele está. E não quero estragar esse momento. Pois tudo o que é bom dura pouco.

No dia seguinte...

domingo, 2 de outubro de 2011

Capítulo 19- Uma nova personagem... Seu nome Anne Marie!


Uma semana depois... O Grande dia...
Fui o primeiro acordar. R3 ainda estava dormindo e eu arrumei o colchonete na qual ele tinha me emprestado e enfiei debaixo da cama dele onde era o seu habitual lugar.
Eu estava tão extasiado, pois hoje é o Nosso Grande Dia, o dia em que a gente ia tocar no 1° Festival da cidade. Estava contente mas ao mesmo tempo com frio na barriga.
Algum tempo depois R3 acordou. Ele trocou de roupa e ficamos fazendo "solinho" com nossos instrumentos. Ele com a batera e eu com a guitarra.
Sua mãe nos chamou para almoçar. A comida estava deliciosa.

Algumas horas depois... Chega a noite, o grande momento...
Eu e o R3 ainda estávamos nos arrumando. Algum tempo depois a gente acabou, lanchou e o carro que veio pegar a gente, chegou.
O carro era bem lindo, e não estava só a gente, já tinham pegado os outros dois. A banda já estava completa. A tensão estava grande. Ninguém conseguiu dizer nada durante todo o percurso. Quando chegamos, percebemos de como o lugar era enorme. Vimos outras bandas, que parecem ser boas, pela maneira, o estilo...
O nome da nossa banda é Guys Rock. Éramos o 3° Grupo a apresentar. É bom, mas mesmo assim estamos nervosos. Estávamos no nosso camarim esperando nos chamar. Algumas horas depois, éramos nós. Subimos no palco e me bateu um friozinho na barriga. Minhas mãos estavam tremendo, suando. Minha garganta estava seca. O R3 já estava na bateria, o DR no baixo, o P1 no microfone pronto pra começar a tocar, e eu na guitarra, suando frio. Cantamos 4 músicas do nosso repertório e 1 de outra banda. A primeira música foi "Because You're beautiful", a segunda foi "Never forget You", a terceira foi "Thought I could forget You", e "I can't lie to You".
Foi ótimo!! Nunca me senti tão bem. Cantar é bom demais e voltar a cantar então, foi melhor ainda! Amei, cada segundo, cada minuto que estive lá, foi extremamente fantástico!!!
Depois de algumas horas, teve o momento de tirar foto com os fãs e dar autógrafos.  Por mais que ficamos um bom tempo sem tocar, cantar, ainda temos fãs e isso é muito bom.
Depois de dar tantos autógrafos, eu vi uma pessoa que não via a muito tempo. Era nada mais nada menos que uma garota que era muito especial pra mim, era minha melhor amiga que tinha se mudado para outro país quando ainda éramos crianças. Eu chorei quando ela foi embora, senti muita falta dela. Mas quando nós somos crianças, depois de alguns dias, meses, esquecemos. Mas agora que eu a vi, a reconheci. Era a vez dela de tirar foto e pedir autógrafo da gente. Eu fiquei tão boquiaberto ao ver ela na minha frente que não sabia o que falar. Meu Deus, o que direi?
_Oi Charlie!! Quanto tempo!
_É... Muito tempo.
_Mas agora está ai tocando numa banda, que demais! Amei o show.
_Que bom que você gostou.
_Soube que fazia tempo que vocês não tocavam, que hoje era a estreia. Deve ter sido muito legal poder voltar de novo, ter uma nova chance.
_Sim, muito. Qual é seu nome mesmo?
_Ah sim, depois de tanto tempo nem lembra mais quem eu sou. Prazer, meu nome é Anne Marie.
_Oh, é verdade. Lembro que eu a chamava de Anma. Nada ver. Não sei o por quê eu a chamava assim.
_Sim. Era um apelido bem estranho, mas eu gostava.
_Ok, voltando. Onde você quer que eu autografe?
_Na minha agenda. Quero que você escreva: "Muitos beijos, muitas saudades da minha amada melhor amiga de infância, Anma. Com grande amor que escrevo isso, Charlie!"
_Ok. -Fazendo isso... Tirei também uma foto junto com ela, e dei meu telefone caso a gente possa conversar melhor em algum outro lugar.
_Ah e só pra acabar. Quero te dizer que vou estudar aqui, no mesmo colégio que você. Não é demais?
_É, claro! -Abracei ela e foi embora.
Nem acredito que encontrei uma amiga de infância. Outra. Só espero que não aconteça nenhuma tragédia, como a outra. ainda não consigo tirar aquela cena horrível da minha cabeça. Toda vez que lembro, meus olhos começam a encher de lágrimas. Mas voltando... Nem acredito que vi Anma, nem acredito.
Depois de algumas horas, acabou a sessão de autógrafos e de fotos, ainda bem! Minhas mãos já estavam começando a criar bolhas de tanto escrever. E já não aguentava mais sorrir. As vezes sorrir demais cansa. Nossa...

Chegando na casa do R3...
Eu e R3 entramos no quarto, eu e ele caímos na cama. Tipo, nós dois de lado na cama dele, de tão cansados que estávamos. Depois disso não me lembro de nada, só sei que eu e ele não tiramos a roupa e não sei quem foi que de alguma forma tirou nossos tênis e nos cobriu. Parece que tínhamos nos dopado de tão "podres" e meio atordoados que estávamos. Mas também depois de ontem, ficamos de ressaca. Nem fui pra escola hoje, dormi até uma hora da tarde.

No dia seguinte...
Hoje não posso faltar a aula, por mais que quisesse, não podia. A mãe do R3 é só boazinha no primeiro momento, tipo ontem quando deixou a gente ficar na cama. Mas hoje como esqueci de colocar o celular pra despertar, ela veio nos acordar. Que tristeza, queria tanto dormir mais. Mas eu levantei, troquei de roupa, penteei o cabelo, escovei os dentes, lavei o rosto pra tirar a cara de sono, tomei café, peguei meu skate e me mandei.
Chegando no colégio...
Entrei na sala e avistei uma pessoa sentada me olhando. Quem era? Anma. Fiquei perplexo, pois não tinha me lembrado que ela falou que ia estudar no colégio junto comigo. Dei aquele breve sorriso de canto pra ela e fui me sentar no meu habitual lugar, no fundo. Também avistei Tinna, que estava olhando para o seu espelho. Ela estava diferente, com uma expressão diferente. Parecia que não era ela, parece que é uma outra pessoa tipo aluna nova. Estava vestida diferente, um estilo diferente que nem sei explicar qual era. Usava um penteado diferente, não ele solto como de costume. Tinha um novo brilho no olhar, estava com um lindo sorriso... Mas o que é que estou fazendo? Olhando pra Tinna, sabendo da burrada que fizera. Estava tão hipnotizado, tão sem noção, que nem percebi o professor entrando e que já estava explicando a matéria no quadro.
Algum tempo depois... Péééééééééé
Era o sinal do intervalo. Que maravilha.
Dessa vez peguei meu lanche e não fui sentar na mesa junto dos meus amigos. Sentei numa mesa vazia pra tentar relaxar, ia colocar meu fone pra escutar música, até que aparece uma alma. Era Anma. Ela disse:
_Posso me sentar aqui? -Disse com aquele olhar que é impossível dizer não.
_Claro.
_Obrigada.
_De nada. -Ficamos um momento em silêncio, mas depois ela o quebrou.
_Ei, por que não veio ontem pra escola? Eu cheguei ontem, achei que iria te encontrar, poder conversar muitas coisas pra tentar recuperar o tempo perdido.
_Ah é, eu estava "podre" de cansado. Cheguei na casa do meu amigo eram duas horas da manhã. Porque a gente e o resto da banda fomos lanchar alguma coisa e conversa vai conversa vem, que já estava tarde. Então não aguentei levantar e dormi mais algumas horinhas. E como foi? Fez alguns amigos?
_Fiz duas por enquanto. Mas senti sua falta.
_Hum... -Nisso vi Tinna sentada conversando com algumas pessoas. Acho que essa não é a Tinna que conheci há um tempo, acho que é alguém disfarçado apenas com o corpo dela, pois a Tinna que conheço não conversa com ninguém. E também reparei que ela não estava me olhando, achei bem estranho, pois ela sempre me olhava.
_E ai como está seu pai? Sua irmã?
_Não estou morando com meu pai.
_Não? Por quê?
_Porque não aguentava mais ficar com ele. Ele me odiava, não prestava atenção em mim apenas na Cynthia. E também sai porque não queria ficar no mesmo teto que uma amiga, pois ela fez uma besteira, e não queria olhar na cara dela. Ela estuda aqui também.
_Nossa... Qual o nome dela?
_Tinna.
_Ah sei. É uma que fala com todo mundo, que ajuda todo mundo, conversa pra caramba. Pois ontem ela veio puxar assunto comigo. Falamos de tudo um pouco ou um pouco de tudo. Ela é bem legal, gostei bastante dela.
_Nossa... Acho que não estamos falando da mesma pessoa. Tem certeza que o nome dela é Tinna?
_Tenho. Por que?
_Nada.
_Tem alguma coisa sim. Está escondendo algo. Fala, por que?
_Porque quando conheci ela, ela ficava sozinha, só conversava comigo. E ai hoje, achei estranho.
_Hum...
Péééééééééé
A aula agora era de História. A professora entrou na sala e passou uma atividade... Em dupla. Ela que fez nossas duplas e eu fui com a... Tinna. Meu Deus! Os professores gostam de querer que eu faça dupla com Tinna. Que saco!
A Anma foi com um amigo meu. Ele se deu bem, eu queria ir com ela. EU!! Ai que droga!
Sentei ao lado dela e começamos a escrever as questões da atividade do quadro pra poder fazer. Ela não falou nada, só sobre a atividade, e voltava a escrever. Ela está conseguindo mesmo não falar comigo, só o básico, como tinha dito. Estranhei, achei que ela não ia consegui, eu estou surpreendendo com a atitude dela. Com a nova atitude, quer dizer.
Terminamos de fazer e entregamos pra professora. Coloquei minha mesa no lugar e coloquei os fones de ouvido, mas não por muito tempo. Porque eu fiquei olhando pra Tinna de como ela estava bonita com esse novo jeito, e depois olhei pra Anma e vi que ela é mesmo muito linda!
Algum tempo depois... Bate o sinal... Agora com Tinna narrando...
Arrumei minhas coisas dei uma última olhada no Charlie, ainda bem que ele não me viu, pois estava de costa. Depois disso sai correndo e esbarrei na Anma, a aluna nova. Pedi desculpas e fui procurar o carro do meu pai. Encontrei. Ele falou como foi meu dia hoje, e eu falei que foi ótimo, que está tudo indo sobre controle. Ele perguntou se está tudo bem comigo pelo fato de ter visto o Charlie, pois eu contei tudo pra ele sobre o que eu sentia pelo Charlie e o motivo de não está falando mais com ele. Meu pai reagiu bem quando contei que gostava de um garoto, achei que ia ficar bravo, pois todos os pais tem medo de perder "a garotinha" para algum garoto. Mas o meu pai não. Ele ficou até feliz quando disse a ele que amava o Charlie. Ele até me deu conselhos pra conseguir recuperar a nossa amizade. Ele meio que falou quase igual como o pai do Charlie disse pra mim. E eu estou fazendo o que eles me disseram. Meu pai disse pra eu fazer jogo duro, não conversar com ele e nem olhar. O pai do Charlie disse para eu viver a vida, pensar em outras coisas. Meu pai disse para eu conversar com outras pessoas e não ficar sozinha num canto, fazer novos amigos. E está dando certo até. Eu reparei em como o Charlie me olhava e de como estava achando estranho, pois a cada olhada, ele fazia uma careta estranha.
Liguei a TV e estava passando o jornal. Eu ia tirar, mas eles estavam falando do Festival e mostrou as bandas que se saíram muito bem e falaram principalmente uma que tinha saído por um bom tempo e que agora voltaram. Eles estavam falando da banda do Charlie, os Guys Rock, de como eles tinham mandado bem. E teve a sessão de autógrafos e de fotos. Apareceu a Anma, não sabia que tinha ido no show, nem sabia que conhecia o Charlie, quer dizer, eu vi os dois conversando na hora do intervalo, mas não sabia que eles eram tão amigos. Será que eles são namorados ou já foram? Será? Meu Deus, por favor que eu esteja errada, por favor! Não quero levar esse balde de água fria. Não quero perder ele, estou mudando pra vê se tenho alguma chance com ele. Quero ficar só com ele, somente ele. Sei que isso é exagero, mas eu o amo, o que posso fazer se o que sinto por ele é algo que não tem como explicar, não mesmo.


Momento Anma... Apenas ela narrando...
Ai voltei pra minha cidade natal. Voltei pra ficar... Eu acho. Meus pais vivem mudando, parece que não conseguem ficar em um lugar fixo, sossegado. Eu faço mais viagens do que fazer amigos. Já deixei tantos pra trás. É por isso que não gosto muito de fazer amizade, pois já sei que vou perdê-las e chorar tanto de inundar (exagerada, eu sei). E foi isso que perdi toda a adolescência do Charlie. E agora quando o vi, logo me apaixonei. Ele é lindo, talentoso... Quero recuperar o tempo perdido e tentar ficar com ele. Quero o muito.
E aquela Tinna? Ela parece ser bem legal. Mas eu vi a maneira de como ela olhava para o Charlie. Ele não viu, nem ela principalmente, mas eu vi. E eu vou logo avisando: Ele é MEU!!! Tira o olho. Eu vou fazer de tudo pra ficar com ele, pra ter a chance de namorar. É o que eu mais quero!



sábado, 1 de outubro de 2011

Capítulo 18- Filha pródiga

Na casa dos Hustton... Onde Tinna está no quarto...
Se o Charlie não voltar pra casa, acho que vou ter que ir embora... Não quero ficar aqui se a pessoa que deixou eu ficar não vai está, não quero!!! De jeito nenhum vou ficar aqui, preciso sair, preciso achar o meu verdadeiro lugar, quero mostrar um dia ao Charlie que serei uma pessoa melhor. Não essa horrível, essa ridícula!
Ah se pudesse, se pudesse voltar atrás, voltar nessa terrível história e poder apagar, poder fazer de novo mas de maneira diferente, uma maneira melhor. Não deveria ter contado a verdade a ele, não deveria ter sido sincera. As vezes sinceridade acaba com tudo, porque acabou com a minha amizade com Charlie e agora ele não quer nem olhar na minha cara. Que ódio!!! 
Ah essa hora ele já deve está longe, na casa de algum amigo, ou... Voltou com o ensaio da banda. Ai como eu queria está lá apoiando e escutando uma das músicas dele. Eu posso ter dito que odiava no começo, mas na verdade eu senti um pouco de inveja da minha amiga quando foi no show deles, mas fiquei com pena, pois sofreram aquele acidente no palco. E voltando, eu gosto muito da música deles, muito mesmo.

No estúdio de gravação...
Todos tinham gostado da minha música. Fiquei muito contente por isso, mas ainda sinto saudades de conversar com Tinna. Ela não sai da minha cabeça, eu sinto muita raiva disso, pois eu quero esquecer  mas continuo a lembrar.
Jenny nos disse que tinha uma surpresa pra gente. Ela falou que na semana que vem chega um festival de música na cidade. E ela já inscreveu a gente. Tipo foi muito espontâneo, muito rápido e sem nos consultar. Mas a galera toda gostou e que vamos tocar nesse festival. Meu... Que demais! 

Chegando na casa do R3, no quarto dele...
A mãe do R3 entrou no quarto dele e o abraçou pois estava muito feliz por ele ter finalmente arrumado o quarto. Ela até deixou ele ir na festa de um amigo dele que ia ter essa semana. Tipo um presente por ele ter arrumado seu quarto. Mas eu tive um dedo nessa história. EU arrumei o quarto, EU devia está ganhando o crédito. Mas ele é meu melhor amigo, me deixou ficar na casa dele, eu tive que me redimir, tive que ajudá-lo. Ele me olhou e disse em um sussurro: "Obrigado. Você salvou minha vida cara." Nossa... ajudei um cara, ajudei um brother, eu sou demais mesmo, não sou? Hahaha

Enquanto isso na casa dos Hustton...
O pai do Charlie se sentou no sofá, pegou seu habitual jornal e ficou pensando por um tempo. Nisso percebeu uma coisa e falou para Cynthia que estava ao lado dele fazendo seu dever de casa.
_Filha, cadê seu irmão? Não o vejo a dois dias.
_Ele... Ele está...-Não conseguia achar uma resposta agradável para seu pai. Nisso apareceu Tinna, que estava na cozinha mas escutou a conversa e foi ajudar Cynthia.
_Ele está na casa de um colega fazendo um trabalho de Inglês. É muito grande e daí precisa de bastante tempo pra fazer. -Ela tem mesmo um dom de mentir... Quer dizer, de achar respostas rápidas.
_Esse garoto está se interessando muito no colégio hein? Ele não é disso, é sempre desleixado com as coisas, nunca faz nada, e agora de repente começou a fazer. Muito estranho.
_Mas já está quase acabando o ano, já está na reta final. Agora é a hora pra tentar recuperar o tempo perdido.
_IR-RES-PON-SÁ-VEL. Isso que ele é. Um irresponsável. Só faz na última hora, sempre. Onde foi que eu errei? Onde? -Dito isso, foi subindo os degraus para ir ao seu quarto.
Passou alguma coisa na cabeça da Tinna, na qual ela disse isso alto, sem pensar. Ela disse: -Você devia ter um pouco de paciência com seu filho, ele faz de tudo pra ter um sorriso seu, e você sempre com essa cara de bravo. Não é a toa que ele fugiu. -Ops, Tinna falou demais. Não consegue ficar quieta.
_O quê? O que você disse? Ele fugiu? -Disse em tom de bravo. Tinna ficou um pouco assustada.
_Er... Sim. Ele fugiu. Por su... Sua causa! -Não ia querer falar que ela também tinha uma parcela de culpa por ele ter fugido.
_Por minha culpa? O que eu fiz, pra ele fugir?
_Ah, me poupe né? Você nem desconfia? Nem um pouco?
_Ahm?
_Charlie tem razão. Além de não perceber que ele existe, não percebe nem o próprio comportamento. Eu vou embora. Achei que o senhor fosse diferente. Achei que o que Charlie falava de você fosse da boca pra fora, tipo briga de pai e filho. Mas hoje percebi que ele está certo. Me desculpe por tudo, mas estou indo.
_Charlie falava de mim?
_Sim. Ele falava. Ele nunca falou bem de você pois você nunca mereceu. "Nunca presta atenção em mim, gosta mais da Cynthia do que eu." Era o que ele sempre dizia. E ele está certíssimo.
_Você está certa. Eu nunca dei bola pra ele. Desde que a mãe dele morreu. Eu a amava. Éramos tão felizes. Mas um dia, numa viagem, eu estava dirigindo, ela no meu lado, Charlie no banco traseiro e Cynthia na cadeirinha. Charlie estava brigando com Cynthia, ele nunca gostou dela, pois ele sempre achava que nós a amávamos mais do que ele. Minha mulher o mandava parar, mas não o parava. Eu já estava ficando nervoso, virei pra falar com Charlie com tom bravo e ele só tinha 5 anos. Nisso não estava dirigindo e então é que tivemos um acidente. Paramos no hospital, minha menina sofreu algumas fraturas. Charlie quebrou o braço, teve que engessar, eu só tive alguns pontos na perna e no braço e minha amada esposa não resistiu. Eu fiquei tão triste, pois eu a amava, ela tinha a vida toda pela frente, tão nova. E desde esse dia, eu culpo o Charlie por ter matado a mãe dele. Por ter me desconcentrado, e eu sei que ele só tinha 5 anos, mas eu estava com a cabeça tão quente que desde então eu faço essa diferença de amor, carinho... Com os dois.
_Nossa... Até que somos parecidos. Fizemos coisa ruins com Charlie.
_Você também fez algo de ruim para o Charlie?
_Fiz. Eu fugi de casa por causa de nota. Briguei com meu pai por causa de nota. E na escola no teste de história tirei nota baixa e fiquei muito mal que cortei um pouco do pulso e que desmaiei. Charlie que ligou para a ambulância. Ele ficou lá no hospital comigo e quando entrou no quarto fui muito grossa com ele. E mesmo assim não foi embora. Daí eu expliquei pra ele o motivo de eu ter feito isso, então ele contou a história dele que foi pior que a minha. Por eu ter feito algo tão banal, agora ele nem olha mais na minha cara, nem fala mais comigo. E agora sabemos o porque ele fugiu. Por nossa causa.
_Então você pediu ao Charlie, antes dele saber a verdade, pra ficar aqui em nossa casa? Se eu conhecesse bem o Charlie, diria que ele te amava.
_Sim. E por quê?
_Ninguém sem conhecer direito deixaria morar na casa de um, digamos que estranho. Com certeza ele te amava, com certeza.
_Nunca tinha visto por esse lado. Ele me amava... E eu estraguei tudo.
_Faz parte. A gente erra. Errar é humano, mas persisti no erro daí é burrice.
_Nem sei se agora Charlie irá me perdoar. Nem sei.
_Olha, eu não conheço muito bem o Charlie, mas se fosse você, iria pra casa, pedia desculpas para seu pai e viveria a vida. Porque se você ficar desse jeito se lamuriando, aí que você pode entrar em depressão. Então a melhor forma de fazer com que Charlie olhe pra você novamente, é mudar. Mude a atitude, faça algo em que o Charlie irá gostar, em que ficará com cara de bobão apaixonado.
_Mas será que vai dar certo?
_Tenho certeza. Vive a vida. Ela é muito curta pra desperdiçar com bobagens. Falo por experiência própria, como você ouviu.
_Com certeza.

Tinna foi ao quarto, pegou sua mochila, colocou todas as suas coisas. Foi até a sala, deu um beijo no rosto do pai do Charlie, e na da Cynthia. Disse a ele:
_Muito obrigada. Desculpe por tudo.
_Eu que tenho que me desculpar. Pode vir aqui visitar a gente, ok? Será muito bem-vinda.
_Valeu.
Pra Cynthia, ela disse:
_Desculpe por tudo ok?- Tirou o cordão dela e a deu na mão da Cynthia. Falou que era pra cuidar bem e pra que possa lembrar sempre dela.
_Eu te agradeço também por ter me ajudado. Valeu mesmo. -E as duas abraçaram-se.
Nisso ela se despediu, deu uma olhada na casa e se retirou. Demorou algumas quadras para que ela chegasse em sua residência. Quando chegou, bateu na porta, seu pai disse quem era? E ela falou que era sua admirada filha envergonhada e desesperada por um abraço e um pedido de desculpas. Ele abriu a porta, ficou extasiado por tê-la visto e a abraçou tão forte que não queria nunca mais soltar. Ela sussurrou no seu ouvido algo como "Sinto muito, por tudo. Eu te amo tanto, não queria nunca ter te magoado. Aprendi uma valiosa lição". Ele abriu um largo sorriso, colocou-a no seu colo e a abraçou mais uma vez. E disse algo como"Eu devia ter te segurado, ter conversado melhor...E Eu também te amo tanto". E os dois começaram a chorar... De felicidade!




segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O dia em que tivemos o nosso "primeiro" ensaio... -Capítulo 17

Estava no meu quarto com muita raiva da Tinna. Quando entrei em casa, para ir ao meu quarto, meu pai estava na sala lendo seu habitual jornal. Acho que ele nem me viu entrando, estava tão concentrado na sua leitura, que não presta atenção em  mim. Mas é de se esperar, não sei como ainda fico pensando se é sempre a mesma coisa.
Acho que quando começar os ensaios da banda, vou ficar na casa do R3, pois aguentar meu pai com o lindo e agradável humor dele, nossa estou "frito". Continuando... Estava no meu quarto lendo uns dos meus gibis, mas ficava sempre pensando na Tinna. Por que sou tão bobo, de ficar pensando naquela mentirosa, metida? Ela pode ser bonita, inteligente, mas o que ela fez,  não consigo imaginar que um dia eu possa perdoar. Será que um dia irei perdoá-la? Será que ainda vou poder conversar como bons amigos de novo? Será que eu ainda vou se importar novamente com ela algum dia? Não sei... Só sei que estou muito chateado com ela sobre isso.
Tinna ainda está no hospital ou ela não vai mais ficar aqui em casa. Não sei. Será que ela vai tolerar essa história com o pai ainda? Será que ela não vai voltar pra casa? Será que ela não vai pedir seu perdão? Ela precisa conversar com o pai dela civilizadamente, sem nenhuma briga, ela precisa... E muito!
Três dias depois...
Tinna havia saído do hospital e ainda está na minha casa. Ainda não há perdoei. Ainda estou com aquelas palavras entaladas na minha garganta na qual mal consigo engoli-las. Ela me deixou muito confuso, muito bravo, muito TUDO!!! Só de pensar nisso me dá vontade de socar alguém ou uma parede. Que ódio!!! E por mais que eu tento esquecer as palavras e ela, mas eu lembro. Por que isso teve que acontecer comigo? Por que?


Uma semana depois...
Acordei, me vesti, tomei café, arrumei minha mochila porque hoje eu decidi que vou ficar na casa do R3 e hoje também começa o ensaio da banda, daí vou esfriar um pouco a cabeça com música e tentar esquecer todos esses meus problemas em família e uma garota.
Peguei meu skate e meu pai já tinha ido levar Cynthia pra escola, então eu tinha aproveitado e escrito um bilhete e deixado na escrivaninha do quarto da minha irmã caçula. Dizia assim:
"Irmã, me desculpe por tudo, por eu não ter acreditado em você. Eu não aguento mais o papai, ele me odeia, não me entende, então o melhor que posso fazer é deixar você e ele felizes. Já que ele ama mais você do que a mim. Bom... A Tinna, diz a ela que pode ficar na nossa casa se ela quiser, mesmo eu saindo. Desculpe se estou saindo assim sem te dar um beijo de despedida, mas também não quero te ver chorar. Mas se qualquer dia eu voltar, prometo que vamos passar um dia inteiro só pra nós dois ouviu? Pode me cobrar. Beijos e do fundo do meu coração, te amo muito maninha!"


Depois disso, peguei meu skate, fechei a porta e sai.

Chegando ao colégio... 
Dessa vez não cheguei atrasado. Entrei na sala e sentei bem lá no fundo como de costume. Tinna já estava na sala, ela me viu, deu um sorrisinho mas virei a cara. A aula era de Aritmética. O professor entrou na sala, disse bom dia e começou a passar matéria nova no quadro. Coloquei meu fone de ouvido e baixei a cabeça. Depois eu copio de um colega, não estou afim agora.
Pééééééééé
A primeira aula já foi, graças a Deus! Mas agora é a segunda,  de Português. Ai quero que acabe logo as aulas!!!
A professora de português escreveu no quadro uma atividade para nós fazermos que valia nota e era em dupla. Ela que escolheu as nossas duplas. Infelizmente. Por que adivinha com quem eu fui? Com Tinna. Ai que raiva. Fui até a mesa da professora com o intuito dela poder trocar as duplas mas fui lá pra nada, pois ela disse que sem chances, tinha que ficar com essas e ponto final. Tudo bem né? Fazer o quê. Professor fala, professor manda. Aluno ouve, aluno obedece.
Fui até Tinna para fazer a atividade. Ela disse:
_Oi. Vamos começar?
_Vamos acabar com isso logo?
_Tudo bem.
Então fizemos e entregamos pra professora. Nisso Tinna veio até mim e disse:
_Você vai ficar com essa cara durante quanto tempo?
_Até o fim dos tempos!!
_Charlie, é sério. Eu sei que eu errei, mas até exatamente quanto tempo?
_Não sei Tinna. Não sei. Eu não sou vidente pra saber quando. Agora vê se me esquece falou?
_Ok Charlie, ok.
"Ok Charlie, ok". Ai que saco viu? Faz a burrada depois quer que eu diga quanto tempo quer que perdoe ela. Garotas...
Algumas horas depois...  Péééééééé
Era hora em que todos estavam esperando. Era a hora do intervalo, que maravilha.
Peguei um lanche e fui sentar em uma das mesas com meus camaradas. Fazia tempo que não ficava com eles, pois como ficava só com Tinna, não tinha muito tempo com meus "brothers".
Eles ficavam falando de várias coisas. Mulheres, jogos de vídeo-games, mulheres, jogos no PC, férias, mulheres... Enfim, a maior parte do assunto foi só de mulheres. E eu querendo esquecer um pouco mulher, eles ficam falando. Garotos...
Algum tempo depois... Hora da saída...
Ai, amém!!! Agora vou ligar para o R3 pra confirmar se vou mesmo ficar na casa dele.
Ligação em celular
_E ai R3? Beleza mano?
_Oi Charlie. Beleza. E ai o que manda?
_Ah, eu quero te dizer que rolou umas "paradas" com meu pai e eu queria vê se posso ficar ai na sua casa por uns tempos até essa poeira baixar. Eu posso? Tua mãe deixa?
_Iiiiii vei. A "coroa" tá de "pira" comigo. Pois eu deixo meu quarto super bagunçado e eu já estou de conta com ela até no pescoço, ou seja, tô morto. Desculpa ai cara. "Malz" mesmo.
_Desencana R3. Vou ver se na casa do DR tá "sussa". Senão vou ter que morar debaixo da ponte.
_Charlie, pera aí. Vou ver com minha mãe se ela deixa, mas não garanto muito não. Espera um pouco.
_Ok.
Alguns minutos depois...
_Ei Charlie, a "coroa" deixou. Mas ela falou que precisa tá o quarto arrumadinho senão "tamo" morto.
_Beleza. Disso eu cuido. Meu quarto é até arrumado. Então tô indo beleza?
_Beleza.
Ligação em celular terminada

Então peguei meu skate e fui em direção a casa do R3. Era um pouco longe para ir de skate, mas como ainda não tinha muita grana pra poder gastar com ônibus, vou de skate mesmo. Assim estou ajudando o planeta. Sou ou não sou maneiro?
Meia hora depois... Casa do R3...
Toc toc
_Quem é?-Disse R3
_Sou eu, o Charlie.
_Entra ai, Charlie, seja bem vindo!!!
_Valeu mano. Sabia que podia contar contigo meu camarada.
_Ah que isso, você é meu "brother", meu parceiro! Ok, chega de papo e vamos lá no meu quarto se arrumar para o nosso "primeiro" ensaio. Que da hora!!!
_Muito. Isso é muito massa. Vai ser demais!!

_Meu que massa o seu quarto!! Só um pouco bagunçado, mas como é quarto de homem, é assim mesmo!! U-huu. Demorou. Só que temos que manter o limpo pra sua mãe não brigar, ouviu R3?
_Sim senhor capitão!! -Fez ironia meu parceiro.
_Bom... Eu vou tomar um banho, trocar de roupa pra chegar limpinho no "primeiro" ensaio, beleza mano? -Eu disse
_Com certeza. Depois sou eu, falou?
_Falou.

Enquanto isso na casa dos Hustton... 
Cynthia chegou em casa e foi correndo ao seu quarto. Ela foi trocando de roupa e viu um bilhete em sua escrivaninha. Ela o abriu e leu:

"Irmã, me desculpe por tudo, por eu não ter acreditado em você. Eu não aguento mais o papai, ele me odeia, não me entende, então o melhor que posso fazer é deixar você e ele felizes. Já que ele ama mais você do que a mim. Bom... A Tinna, diz a ela que pode ficar na nossa casa se ela quiser, mesmo eu saindo. Desculpe se estou saindo assim sem te dar um beijo de despedida, mas também não quero te ver chorar. Mas se qualquer dia eu voltar, prometo que vamos passar um dia inteiro só pra nós dois, ouviu? Pode me cobrar. Beijos e do fundo do meu coração, te amo muito maninha!"

Ficou assustada e ao mesmo tempo triste. Ela o amava, e não queria que acontecesse isso e ela sabia que era por sua causa. Sabia que o pai só gostava dela e não dele. Só não sabia da parte da Tinna, mas o resto sim. Ficou se sentindo culpada. Foi até a cozinha fazer um  lanche só que apareceu seu pai. Dizendo:  
_Cynthia cadê seu irmão?

_Ele... Ele... -Não conseguia achar uma resposta pois ainda estava em estado de choque e não queria estragar ainda mais a vida do irmão. Por isso tinha que pensar numa resposta logo. Mas quando ela ia responder...
_Ele está no colégio. -Tinna a interrompeu.
_Porque ele ainda está lá?
_Por que ele está fazendo um trabalho. Está na biblioteca procurando os melhores livros pra fazer uma pesquisa bem interessante.
_E porque você não está lá? Você não é da mesma sala que a dele?
_Sou, mas ele não quis que eu fosse. Ele quer fazer o trabalho sozinho. É um tremendo de um cavalheiro esse seu filho viu?
_Sei, sei. Ok. Pode ir.
_Valeu.
Cynthia deu uma piscadela pra Tinna, tentando dizer: "Obrigada".
Tinna ficou nervosa. Ficou falando na mente dela: "Onde ele se meteu? Pra onde ele foi? Por que estou com ele na cabeça se ele nem quer saber de mim? Por que?"


Voltando na casa do R3, onde está o Charlie...
Tinha acabado de tomar banho, vestido uma roupa e então o R3, entrou no banheiro que agora era a sua vez. Enquanto ele estava no banho, dei uma geral no quarto, pra a mãe dele não brigar mais.
Alguns minutos depois eu terminei de arrumar e o R3 terminou o banho. Quando ele saiu de dentro do banheiro, nem conseguiu piscar os olhos de tão extasiado que estava. Ele disse:
_Meu... Mano... Co-Co-Como você conseguiu isso? Vei, você é meu herói!
_Ah que isso cara. Era o mínimo que tinha que fazer, por você ter deixado eu ficar aqui em sua casa. Valeu mano.
_Tá, beleza. Vamos então? Vou pedir pro meu pai levar a gente e dai tá "sussa" falou?
_Falou.

Então o pai do R3 levou a gente para nós ensaiarmos. Meu... Que sonho!! Voltar a cantar, que demais!!!
Chegando ao estúdio de gravação...
Nos despedimos do pai do R3 e entramos no estúdio. Nossa... Era enorme!!! Não me lembrava do quão enorme era.
A Jenny veio até a gente e disse que os outros já haviam chegado. Entramos na sala de gravação e começamos a cantar/ensaiar. Como não tínhamos música nova, cantamos a que tinha antes. Mas eu ainda não comentei com eles que na verdade tenho uma música guardada no meu caderno. Em alguns minutos não aguentei ficar guardando e contei a eles. Ficaram todos bobos e extasiados com que tinha dito. O P1 então, como é ele que canta, ficou bem animado. Ele viu a letra e pediu pra que mostrasse o ritmo pra ele. Eu mostrei na minha guitarra e como ele pega rápido já começou a cantar comigo. Até eu fiquei impressionado com a letra, a melodia... Nem acreditei no quão lindo era. A música era de fato assim:

Olho pra janela fico pensando 
em tudo que aconteceu
Em minha vida. 
Era tudo um sonho? 


Estava chovendo, chuvas sempre fazem me lembrar
Da primeira pessoa que vi, passamos bons momentos 
E penso como foi ótimo...


Mas não me recordo, não sei o que
Realmente aconteceu por não estarmos 
como antes...


Não recordo, não 
Por que assim? Por que não sai da minha cabeça?
Só fico... Fico a imaginar! 


Todo mundo da banda gostou, fiquei tipo emocionado por terem gostado. Foi ótimo!