quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Capítulo 20- O dia em que fui parar no hospital... De novo!

Não sei como aguentei olhar para o Charlie sem vomitar, pois não acredito que o vi com "aquelazinha" na festa, ui. Fiquei com tanto ódio que não consegui tirar os olhos deles. Porque ele fez isso comigo? Por quê? Eu sei que fiz tudo errado antes, mas ele viu que eu mudei. Mudei...

Semanas antes...
Estava na cama quando olhei no relógio e percebi que estava atrasado. Como sempre.
Levantei, me arrumei, peguei meu skate e sai a disparada. Não estava prestando atenção em nada quando tropeço em algo. Numa pedra. Me ralei todo, mas pensa que parei? Continuei andando.

Chegando ao colégio...
Entrei no colégio, fui até meu armário pegar meus cadernos e entrei na sala. Quando entrei vi a cara de espanto dos meus colegas. Não sei porque pois eles sabem que chego atrasado. Mas o que eles estavam assustado foi que meu corpo estava completo de sangue, que eu não tinha percebido. Depois que olhei fiquei muito assustado, pois pra mim só tinha sido uma quedinha de skate que as vezes acontece. Mas ali não, ali eu vi aquela quantidade de sangue que estava na minha camiseta e na calça. E depois disso apago.

Senti um ar gelado penetrando em meu corpo. Abri os olhos bem devagar e vi que estava em um hospital. Como fazia tempo que não ia no hospital como paciente, pois a última vez que vim como paciente foi quando tive o acidente no palco. E depois só vim como visita. Só sei que não me lembro como vim parar aqui. Não mesmo.
Olhei o quarto e percebi que não estava sozinho. Meu pai estava lá. Meu pai! O homem que nunca presta atenção no filho, agora estava lá, sentado, me olhando fixamente. Quem foi que chamou ele ali? Quem?
Acho que já sei, deve ter sido o colégio, eles tem os números dos alunos caso aja alguma emergência.
Ele veio mais perto de mim e disse:
_O que você fez Charlie? -Com aquele olhar de desapontado.
_Nada, oras.
_Como nada? O que aconteceu? Quando vi sua camisa cheia de sangue achei que tinha acontecido algo grave.
_Não é nada que você possa se preocupar. Já estou legal, pode ir embora.
_Charlie, Charlie Charlie. Sempre querendo se cuidar sozinho. Sempre. Eu estou aqui, pode contar comigo. Sei que não fui o melhor pai até agora pra você, mas quero mudar, quero muito.
_O que houve? Está tirando uma com a minha cara? É isso? Você mudar? Desde quando?
_Ué, uma pessoa não pode querer ter vontade de mudar?
_Ahm... Quem sabe? Desde que mude de verdade, que não seja nenhuma farsa. Por mim pode.
_Obrigado filho. Não vai se decepcionar.
_Eu já conheço essa frase. -Risos- Ok, espero mesmo.
Ele chegou mais perto e me abraçou. Isso foi até legal. Nunca pensei que meu velho pudesse querer mudar. Mas será mesmo?
_Então... Depois disso, vai querer voltar pra casa?
_Não sei... Está tão bom onde estou morando... Tão legal!
_Ah Charlie, por favor, a Cynthia sente muita falta de você. Volta.
_Só a Cynthia? -Fazendo jogo duro.
_Ah moleque para de graça, é sério, por favor volta!
_Só se você falar que sentiu muita falta de mim, que me ama muito e que chorou.
_Você quer que eu fale isso tudo? Está ficando muito convencido hein? Com quem você está andando?
_Não mude o assunto. Fala.
_Tá bom. Eu senti muito sua falta, chorei e te amo muito. Satisfeito?
_Muito. -Hahaha. Ri muito agora.
_Ei Charlie, agora que você está melhor, tem alguém que quer falar com você. Ou duas querem.
_Quem são?
_Tinna e Annie Marie.
_Ai diz que não estou.
_Charlie... Fala com as duas. Quer dizer, escolhe uma pra falar, pois só pode uma agora. Depois só mais tarde.
_Ok. Chama qualquer uma aí.
_Vou chamar a Tinna então.
_O quê? Por quê?
_Ué, não é pra chamar qualquer uma. Então, vou chamar a Tinna.
_Ok. Chama ela lá, e diga a ela pra ser rápido, que eu quero dormir.
_Tudo bem dorminhoco.
Então ele chamou a Tinna. Ela entrou no quarto com o rosto meio que envergonhada. Meu pai saiu do quarto e então ela disse:
_Oi, está melhor?
_Só um pouco com dor de cabeça. -Vou ser um pouco grosso com ela, já que ela foi comigo aquela vez. -E o que faz aqui? Quero ficar sozinho.
_Ah é que... Que... Eu sinto muito. -Estava indo para a porta quando...
_Espera... Foi mal. Pode ficar. Só fiz isso mesmo porque você fez isso comigo. Só queria te mostrar pra vê como é ruim quando a gente se preocupa com a pessoa e ela ser grossa.
_Me desculpa... Mesmo... Eu sinto muito, por tudo! -Colocou as mão nos olhos e se pôs a chorar.
Garotas são tão sensíveis... Vou tentar consertar isso. Peguei a mão dela e a abracei. Ela colocou um longo sorriso no rosto. Foi lindo vê-la sorrir.
_Obrigada Charlie por isso. Mas eu vim aqui pra saber se você pode me perdoar. Por favor, eu não aguento ficar sem falar com você. Eu mudei por você, falando sério. Eu sai da sua casa, pedir desculpas para o meu pai, e agora eu estou conversando com bastante gente. Me perdoa? Eu prometo que nunca vou mentir pra você, prometo ser mais sincera da próxima vez. Mas isso é a única coisa que te peço, a única e nada mais.
_Hum... Tudo bem. Se você pediu desculpas para seu pai e conseguiu mudar e ainda por cima fez isso por mim. Ninguém nunca fez nada por mim, nada mesmo.
_Ai valeu, valeu mesmo. -Me abraçando.
E abracei-a também.
_Você... Eu... Isso que está rolando... É pra valer? -Disse com uma cara...
_É... Nã-nã-não... É só um...- Empurrei ela do abraço.
_Hm... Então não está rolando nada entre a gente?
_Não, claro que não.
_Hum... -Se despediu e se retirou do quarto.
Eu disse algo que não devia? Por que ela saiu desse jeito? Ai... Eu nunca vou entender as mulheres...
Toc toc
_Entra.
Era Anma.
_Oi, como está?
_Já estou quase bom, só um pouco de dor de cabeça, mas logo passa.
_Hm... Espero que passe mesmo. Fiquei preocupada contigo lá na sala. Quando eu vi a Tinna foi ligando para o hospital, eu fiquei muito assustada, não tive reação, não sabia o que fazer naquela situação. Mas ainda bem que você está melhor, ainda bem.
Tinna... Ela se importou comigo... Ela se importa... Ela... Ela é como eu. Nós nos combinamos em muitas coisas. Sempre querendo fazer o melhor pras pessoas, mas esquecemos de nós mesmos.
_Charlie, Charlie. Está me ouvindo? -Estava em transe, pensando na Tinna que nem escutei o que Anma estava falando.
_Oi, oi. O que eu perdi?
_Estava aonde? Em um mundo muito distante daqui? Estava no mundo da lua por acaso?
_Ai me desculpe, não queria te deixar no vaco, foi mal mesmo. Mas o que você estava dizendo?
_Estava dizendo se você quando melhorar e se quiser vir comigo numa festa. E não quero ficar "boiando" na festa. Não achei nenhum amigo que pudesse vir comigo. Estamos nessa juntos?
_Ah... É... Pode ser. Eu nem estava pensando em ir, mas se você quer que eu vá, por mim tudo bem.
_Ai valeu, valeu mesmo!! -Essas meninas...
Ela se retirou e deitei na cama de hospital, suspirando. Nossa essas meninas me tiram do fôlego...

Depois de tanto tempo sai do hospital... Que ótimo!!! Ai que alívio. Estava no meu quarto, na minha verdadeira casa. Eu tinha pego minhas coisas da casa do R3, e me despedi da casa dele. Ele ficou um pouco triste mais entendeu. Me despedi da mãe dele e disse que a comida dela é a melhor do mundo. Ela ficou muito feliz.

Entrei no computador, fiquei conversando com alguns amigos antigos meus, e falando da grande festa que vai ter amanhã. Falei que tinha companhia e eles ficaram me zoando como sempre. Fui dormir bem cedo o que não é o costume, mas sei lá, me deu vontade de dormir cedo e também quero deixar meu pai mais feliz do que ele está. E não quero estragar esse momento. Pois tudo o que é bom dura pouco.

No dia seguinte...

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